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Morreu Isabel Mabote (1963-2021)

Isabel Mabote, vítima de doença, morreu aos 58 anos de idade. Além de professora musical, a malograda foi também júri em concurso musicais de STV, e até à data da sua morte, era directora da Escola Nacional de Música.

Na verdade, é mais um membro do jurado do concurso Fest Coros, que se vai. Primeiro, foi Hortêncio Langa, no princípio do ano e, agora, morreu Isabel Mabote, membro de júri em todas as edições do concurso da STV.

Do grupo, ficam Teresa Chiziane e Arão Litsuri, este último que, falando ao “O País”, reconheceu que vai ser “difícil” voltar a juntar um jurado tão coeso quanto era com a presença de Isabel Mabote.

“Eu e o Hortência tínhamos os conhecimentos que tínhamos sobre a música, mas nos sentíamos mais fortes quando ela estivesse connosco em termos de avaliação e opinião musical. Vai ser complicado outras pessoas para esta grande tarefa”, disse Litsuri.

E de tarefas grandes foram feitos os 58 anos de idade de Isabel Mabote, que dedicou maior parte da sua vida à música. Ora sendo maestrina, ora sendo professora ou então como júri nos grandes concursos da STV.

Aliás, passavam mais de 10 anos desde que tinha sido indicada para dirigir a Escola Nacional de Música. Mas não era isso o mais impressionante da pessoa que este sábado partiu. O seu colega David Abílio fala do seu carisma quando interagisse com alunos e com grupos de canto.

Era impressionante “o modo como ela tratava os alunos e como esses respondiam a ela era qualquer coisa que nós outros, que também geríamos grupos de canto, inspirava-nos bastante”, comentou David Abílio.

E parte desse carisma era visível a cada vez que avaliasse grupos corais, por exemplo, no fest Coros. As suas avaliações começavam com os melhores aspectos do grupo.

Mas, atenção, que esse carisma não se confunda com falta de conhecimento, tampouco que ela fosse menos exigente. Depois dos elogios, vinha a Isabel Mabote que queria mais trabalho.

Elogiava, criticava e apontava soluções de acordo com as especificidades de cada grupo. Para ela, os grupos precisavam escolher canções fáceis e que fossem boas para escutar e apreciar.

Por falar em apreciar, quem nunca elogiou o saxofone de Moreira Chonguiça? Poucos levantariam a mão, até porque este sopro é do que mais soam em Moçambique e pelo mundo inteiro. E foi pelas mãos da professora de música Isabel Mabote que tudo começou.

Para Chonguiça, Mabote representa muito mais do que uma professora de música. “Deu aulas de canto, de piano e musicalidade. Ela representa uma multiplicidade para mim”, contou o conceituado saxofonista.

E essa multiplicidade não foi apenas com Moreira, até porque Mabote tinha conhecimentos e que iam para lá da música, tal como ele mesmo testemunhou. “A professora Isabel tinha conhecimento de pedagogia e de gestão de crise institucional”.

Ao que tudo indica, também sabia gerir as emoções dos seus alunos. Que o diga Nelson Nhachungue. Lá, no princípio da sua carreira, o jovem cantor teve Isabel Mabote como professora na academia do Fama Show, também da STV.

Ele conta que tinha problemas em assumir que não conseguia fazer falsetes, mas “a professora me ensinou a ser natural e usar a minha voz tal como ela é”.

Nelson foi treinando com o acompanhamento da professora Isabel Mabote na academia do Fama Show. Daí que Nhachungue assume dever tudo que tem, enquanto cantor, à Isabel Mabote. “Tudo que faço em palco é graças a ela”.

Nelson e Moreira não são os músicos moçambicanos que passaram pelas mãos de Isabel Mabote. A lista inclui, mas não apenas, Ivan Mazuze, Sheila Jesuíta e até a actual ministra da Cultura e Turismo, musicalmente conhecida como Kika Materula.

Isabel Mabote deixa quatro filhos, dos quais, uma seguiu a carreira da mãe, que é Cídia Mabote. A cerimónia do adeus à professora de música tem lugar amanhã, às 09 horas, na capela do Hospital Central de Maputo, e as 11 horas no cemitério de Michafutene.

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