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Morosidade no Instituto de Transportes Terrestres em Maputo “agasta” utentes

O Instituto de Transportes Terrestres em Maputo está a registar enchentes desde os primeiros dias deste ano. Os utentes falam de morosidade dos trabalhadores da instituição e lançam “queixas” à vice-ministra dos transportes e comunicações.

Quarenta e sete anos de idade, pai de oito filhos. Chama-se Carlos Moiane. É motorista.

Desde a quarta-feira, Moiane busca pela carta de condução renovada. Mas há dificuldades. A morosidade está a caracterizar o Instituto de Transportes Terrestres, em Maputo.

“Tenho carta profissional e serviços públicos. Estou a trabalhar numa empresa. Assim, a minha carta expirou a validade. Assim, estou para renovar”, disse o motorista, que lamentou o facto de ser obrigado a pedir sucessivas dispensas no trabalho, face à morosidade na renovação da sua carta.

Entretanto, Moiane espera pela sua carta há dois dias. Mas há quem espera há mais de três.

“Eu vim aqui, há três dias atrás. Precisava de uma informação. Fui dado de uma forma despachada, então voltei de novo esta quinta-feira para resolver o mesmo assunto. Quer dizer, são três dias para resolver o mesmo assunto”, reclamou ao “O País” outro utente.

“Na verdade, para o meu caso, este é o quarto dia”, denunciou outro utente.

Tantos utentes e tantos dias, em busca de serviços como a captação de dados e a renovação de cartas de condução.

“A situação está pior cada vez mais, infelizmente”, expressou com ar de irritação, uma jovem que desde o ano passado pretende a carta de condução.

Não obstante, as enchentes no Instituto de Transportes de Maputo foram piores nos dias anteriores à esta quinta-feira. É que Manuela Rebelo esteve de visita ao local.

Logo que a vice-ministra dos transportes e comunicações chegou pela manhã, os trabalhadores começaram a desdobrar-se com vista a descongestionar a enchente. O que os utentes deploram.

“Eu acho que é questão de medo, porque quando estamos perante as autoridades mostra-se mais trabalho”, disse uma entrevistada.

“Essa questão de se trabalhar quando se vê o ministro é uma questão deplorável”, acrescentou outro entrevistado.

Contudo, Rebelo inteirou-se da situação e reconheceu a falta de organização antes do fim da medida que visava a não cobrança das cartas de condução, no contexto da COVID-19”.

“De facto, não nos preparamos, mas não podemos deixar que isso se perpetue”, pediu Rebelo, que sensibilizou ao dinamismo no atendimento.

Como sugestão para ultrapassar as enchentes, a vice-ministra propôs a distribuição de senhas no local. Manuela Rebelo reconheceu que a expansão dos serviços seria melhor alternativa, mas para já não há condições.

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