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Moradores de Maputo e Matola temem eclosão de doenças hídricas nas zona inundadas

Diversos bairros dos municípios de Maputo e Matola continuam com as residências cheias de água nos quintais. As ruas também continuam com transitabilidade condicionada. A situação está a preocupar os moradores que receiam pela eclosão de doenças hídricas.

A chuva parou já há uma semana, mas a água não escorre para qualquer lado, nem é absorvida pela terra. Por isso,  Sandra  Coelho, munícipe da Matola, residente no Bairro da Machava 15, diz ser insuportável viver nesta condições. “Nos queremos que a água saia da casa das pessoas, todos os anos vivemos esta situação e não temos nenhuma solução”.

A água da chuva inundou quintais e ruas, daí que circular só é possível colado ao muro de vedação e por cima de pedras.

Penina Manusse tinha horta no quintal e tudo foi alagado. Uma semana passou desde que a última chuva caiu, mas água se mantém e obrigou um inquilino a abandonar a casa. Consequentemente, a proprietária perdeu a sua fonte de sobrevivência.

“Os inquilinos saíram, fiquei só e sem o que fazer, fiquei apenas eu, Penina, nesta casa”.
Estás situações prevalecem em bairros como Liberdade, Machava e Nkobe, no Município da Matola.

O drama repete-se, também, na Cidade de Maputo, onde várias casas em bairros como Hulene, Magoanine, Mapulene e Costa do Sol ainda estão inundadas pela água da chuva. Famílias continuam com dificuldades para se fazerem aos quintais, bem como circular pelas ruas. Grita-se pelo socorro.

“Estamos desavindos entre vizinhos, só estamos juntos porque chegaram vocês da televisão. Estamos desavindos e nem nos saudamos devido à água da chuva que inundou as casas e alguns aqui abandonaram as suas casas e estão a arrendar”, disse uma munícipe da cidade de Maputo.

O Delegado do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), na província de Maputo, Amir Ibraimo, diz que o trabalho de assistência das famílias com casas dentro de Água, na Matola, deve ser feito pela edilidade da Matola.

O Conselho Municipal da Cidade da Matola diz que está a intervir para minimizar o sofrimento a que as famílias estão sujeitas. ” Neste momento temos equipas e máquinas que estão a trabalhar no tereno, estivemos a trabalhar também no quilometro 15 na limpeza de valas, portanto estamos a fazer algum trabalho”, explicou Firmino Guambe, porta-voz do Município.

O entrevistado avança, ainda, que a solução definitiva é a construção de valas de drenagem, mas a materialização desse plano depende da existência de dinheiro. “A solução definitiva passa por implementar aquilo que é o plano director, portanto a construção definitiva do sistema de drenagem da Cidade e, parra isso, precisamos de recursos para avançarmos de forma integral, neste momento estamos a fazer de forma faseada”.

Informação avançada em conjunto pelo INGD na Cidade de Maputo e o Município dá conta que a chuva que caiu afectou 2.436 famílias das quais nove estão ainda nos centros de trânsito. Ainda de acordo com as autoridades municipais da Cidade de Maputo, as famílias que continuam no meio da água recusaram-se sair e até ao momento a edilidade não equaciona reassentar ninguém.  

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