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Moradores de Bunhiça queixam-se da falta de recolha de lixo por parte do CMM

Moradores do Bairro Bunhiça, na Matola, queixam-se da falta de recolha de lixo em suas casas, não obstante estarem a pagar taxa de lixo para o efeito, entretanto, a Edilidade reconhece défice na recolha de resíduos sólidos e diz que o orçamento canalizado pela Electricidade De Moçambique (EDM) não é suficiente para responder a demanda.

Agastados! Este talvez seja o adjectivo que dê para descrever o estado em que se encontram os moradores do Bairro Bunhiça, no Município da Matola. Não é para menos! Estes moradores pagam uma taxa de lixo na compra de energia para verem o lixo removido de suas residências. Apesar de pagarem a referida taxa, os moradores do bairro, nem se lembram da última vez que os seus olhos viram o carro do Conselho Municipal passar de suas residências para recolher o lixo.

Quem nos descreve o drama é Artimiza Manguele, que é uma das moradoras de Bunhiça. “Há meses não passa carro por aqui. Como vês, todas as ruas estão cheias de lixo. Ficamos aqui com lixo que cria mosquito e doenças. Tudo está no mesmo sítio”, aliás, o que mais tem desgastado Artimiza é o facto de não passar o carro, enquanto constantemente paga taxa de lixo, “mas o município nunca passou do bairro para ver a situação do lixo”, denuncia Artimiza Manguele.

Mas afinal de contas, como eles se viram? De acordo com Laura Tomás, também moradora de Bunhiça, eles são obrigados a pagar particulares para que possam remover o lixo das suas residências, o que corresponde a um custo adicional a taxa de lixo.

“Para tirarmos o lixo em nossas residências, temos de pagar a dobrar, ou seja, pagamos taxa de lixo todos os dias e também devemos pagar a esses de “txova” para poderem tirar o lixo”, explicou Laura Tomás, mas a situação agrava-se para os que não têm dinheiro para tal. Até porque os do “txova” não cobram pouco. “Os moços de “txova” não cobram pouco. Eles partem de 150 meticais para cima, a avaliar pela quantidade do lixo. Se não temos dinheiro para lhes pagar o lixo fica a cheirar mal aqui em casa”, disse.  

Neste Bairro, a deficiente recolha de lixo traz consigo um outro agravante, sobretudo quando chove. Quem nos revela este facto é Agina Mandes, moradora daquele bairro. “Quando chove isso tudo enche de água e não tem como passar daqui. Ficamos sem água, não tiram lixo. Aliás, as águas arrastam o lixo e inunda as casas e ficamos doentes com crianças a brincar no lixo. Malária e a cólera não saem deste bairro”, referiu a moradora.

E agora Conselho Municipal da Matola, o que está falhar na remoção do lixo?

O Conselho Municipal da Matola (CMM), na voz do seu porta-voz, Edson Ussaca, reconhece a sua fragilidade na recolha de lixo em alguns bairros do município e se explica, “nós recebemos 5 milhões de meticais por mês, como resultado das taxas de lixo e os custos operacionais rondam nos 7 milhões de meticais, o que significa que há um défice mensal de cerca de 2 milhões de meticais”, explicou.

A explicação do município é compreensível, mas qual será a solução? Edson Ussaca não quis avançar nenhuma solução que a edilidade vai levar a cabo. E questionado sobre a possibilidade do agravamento da taxa de lixo como forma de cobrir o défice mensal de 2 milhões de dólares, revelou que o município já aprovou uma nova taxa de lixo, mas que não vai aplicar enquanto os munícipes não se sentirem satisfeitos em relação a remoção do lixo.

“A resolução do problema, não implicaria o agravamento da taxa de lixo. Aliás, já foi aprovado o aumento da taxa de lixo, mas acontece que não está em implementação porque não é nada para nós, como Conselho Municipal, estarmos a implementar uma nova taxa, ainda que aprovada, quando na verdade os níveis de satisfação não são dos mais recomendáveis ou ideias por parte dos nossos munícipes”, disse. 

O Município da Matola possui 42 bairros, sendo que 29 beneficiam da recolha de lixo.

 

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