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Moeda de 50 centavos rejeitada em mercados e transporte público

Foto: O País

Há comerciantes que já não recebem a moeda de 50 centavos para a compra de produtos, na Cidade de Maputo, alegadamente porque esta perdeu valor. Especialista diz que tal se deve à subida do custo de vida e desvalorização da moeda.

A moeda que conhecemos vem de 2006, com a entrada em vigor da nova família do Metical e chama-se 50 centavos.

Desde o seu surgimento, não faltavam coisas por comprar. Adquiriam-se rebuçados, biscoitos e, se associada a outras moedas, podia pagar água, comprar sabão e tantos outros bens que custassem qualquer metical mais os 50 centavos.

No entanto, isso é apenas uma lembrança, porque, nos dias que correm, a moeda de 50 centavos está a ser rejeitada, tanto por parte dos agentes económicos, bem como pelos munícipes da Cidade de Maputo.

A nossa equipa de reportagem fez um teste numa das padarias da capital do país. Com seis moedas de 50 centavos cada e outra de 10 Meticais (treze Meticais o todo) compramos um pão (ao preço de 10 Meticais) e um plástico (ao preço de três meticais).

Logo que a comerciante viu os 50 centavos questionou: “ainda existe este dinheiro?”. Respondemos que “sim” e, no decorrer da conversa, revelou-nos que ela, em particular, tem aceitado as moedas em causa, mas há pessoas que rejeitam, inclusive clientes.

Até conseguimos comprar o pão com recurso a moedas de 50 centavos, mas, no dia anterior, Monteiro Dias, um dos nossos entrevistados, não teve a mesma sorte, pelo que denunciou o caso.

“Eu queria comprar pão numa das padarias, mas, porque trazia algumas moedas de 50 centavos, foi-me impedido. Depois de muito questionar, deram-me o pão, mas fiquei com as moedas não válidas e com uma dívida de três Meticais, correspondendo ao valor que eu tinha em centavos”, contou Monteiro Dias.

A fonte revelou ainda que os mercados Fajardo e Malanga, algumas mercearias e até no transporte público de passageiros, as moedas de 50 centavos não são aceites. Mas, não é só na compra do pão que se rejeitam estas moedas. Na compra de verduras, electrónicos, até no “chapa”, a discussão é acesa. Ninguém quer receber a moeda de 50 centavos.

Verónica Macamo é vendedora de legumes no Mercado Compone, Cidade de Maputo. Ela conta que inúmeras vezes sofreu este bloqueio, por isso não mais recebe moedas de 50 centavos.

“Dizem que as moedas já não servem. Mandam-nos voltar. Por isso, nós também não recebemos essas moedas, porque ninguém aceita levar. A quem daremos, se mesmo para comprar pão não aceitam?”, desabafou a fonte.

O mesmo acontece com várias pessoas com as quais a nossa reportagem conversou. Mas, afinal, o que está por trás deste cenário?

Contactamos um economista, para melhor interpretarmos o fenómeno.

“O que acontece é que as coisas mudaram desde a última actualização do Metical. O que podia ser comprado em 2006, hoje precisas de pagar quatro vezes mais. O que quer dizer que o valor que os 50 centavos tinha em 2006, hoje não tem”, explicou o economista Egas Daniel.

O economista conta ainda que, nos anos 2006, 2010 e um pouco mais, ainda existiam artigos que custavam dois meticais e cinquenta centavos, podendo comprar uma pastilha, uma menta, mas “hoje em dia as transacções físicas já não te permitem estabelecer preços com uma margem de centavos, como dois e meio, três e meio, ou seja, o papel que o 50 centavo desempenhava tende a diminuir.

Esta redução, segundo Egas Daniel, deve-se ao agravamento do custo de vida nos últimos anos, o que constitui um grande desafio para o Banco de Moçambique.

“O Banco Central vai debater-se com duas situações: à medida que o Metical perde valor, ele pára de emitir as moedas de 50 centavos, primeiro porque o público não está a usar, segundo porque o custo de produção tende a ser maior quanto mais o tempo passa, comparativamente ao valor real”.

A moeda de 50 centavos que conhecemos vem de 2006, quando se introduziu a actual família do Metical. Mas, nos dias que correm, esta moeda é rejeitada, tanto pelos agentes económicos, como pelos munícipes da Cidade de Maputo.

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