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Mocímboa da Praia vive “paz armada” depois dos ataques

Nas bandas do “primeiro tiro” da Luta de Libertação Nacional, combate-se hoje contra um inimigo invisível: supostos elementos do Al-Shabaab que no dia 5 de Outubro passado deram os primeiros tiros que marcaram o início de incursões terroristas. Três meses depois, a vila da Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado, vive um clima relativamente calmo, porém com uma forte presença militar.

Os ataques de homens armados até aqui pouco conhecidos encontrou de surpresa a polícia que viu até o seu chefe de Reconhecimento morto em plena actividade de estudo de terreno. A situação foi grave e precisou de reforços de vulto para controlar o ambiente de conflito e tensão que passou a pairar desde àquela data de Outubro.

“Estamos a trabalhar, mas com cautela de que um dia pode vir a acontecer e temos que estar preparados para qualquer evento que seja. Pode não ser aquela acção que houve no dia 5, pode haver cheias ou ventos fortes, então nós como população, como munícipes, como governantes, teremos que estar preparados para tudo que vier podermos resolver o problema”, anunciou Fernando Neves, edil da Mocímboa da Praia em entrevista à nossa reportagem.

O autarca está convicto que o trauma social já passou, até porque ao seu ver, não há dor que dure para sempre: “é como alguém se tivesse perdido o seu pai, a sua mãe, tem aquele momento de dor, depois passa e começa a olhar o caminho que é para à frente”.

E é de Mocímboa que passa a estrada que liga Pemba a Palma – o distrito que acolhe os megaprojectos de gás -, por isso houve uma necessidade de intervenção imediata para evitar a generalização da insegurança que podia afectar os investimentos avultados que os americanos da Anadarko começam a implementar. Sobre a presença dos militares, para Fernando Neves só há que agradecer – “sem essa força (militar) não podíamos estar seguros. Quando vemos que a força está cá sentimos que de facto estamos a ser protegidos”.

Como forma de mostrar que o cenário que se vive actualmente é de paz, o governador Júlio Parruque foi orientar a cerimónia de abertura do ano lectivo 2018 na vila da Mocímboa da Praia e encontrou um ambiente de esperança, segundo suas palavras. “Felizmente o ambiente é de esperança porque já passam alguns dias consideráveis sem que haja relatos de incursões de homens que perturbem a tranquilidade nas nossas comunidades”

 

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