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Moçambola: dois passos atrás um para a frente… ou vice versa?

Há duas versões relativamente ao Moçambola, em tempo e no pós-Covid.

A primeira, aponta para o regresso a uma competição mais consentânea com o momento difícil no país, em que a maioria dos clubes que já (sobre)viviam do desembolso dos patrocinadores, viram a situação “apenas” agravada pela pandemia. Assim sendo, apontam para um passo atrás e, daqui a uns anos, dois em frente;

A segunda, mais ousada, revê-se no inverso: dois passos em frente com todos os riscos inerentes, para depois, se tudo correr bem, não haver necessidade de recuos!

FUTEBOL É UMA COISA DESPORTO É OUTRA…

Em tempos, cometeu-se no país um erro gravíssimo, cuja factura ainda está a ser paga: o corte de fronteiras, que cerceou a carreira de muitos atletas com potencial para levar o futebol do país ao Mundo.

Nalguns países da Europa, faz-se a distinção entre futebol e… desporto. Com alguma razão, uma vez que, por exemplo, o salário de um futebolista de gabarito, pode pagar a movimentação de todas as outras modalidades num clube!

Daí que nós, realisticamente, não podemos fugir muito deste tipo de paradigmas, se nos queremos beneficiar da força motivadora que o desporto-rei, cada vez em maiores doses, proporciona em alegria e outras “nuances”, a toda uma nação.

Na antevisão de um país em paz e em alta, com a exploração de recursos minerais, é impensável Moçambique não poder ‘galgar” lugares no “ranking” FIFA, com as nossas estrelas a serem, cada vez mais, objecto de cobiça dos grandes clubes e, em simultâneo, motivo de orgulho e satisfação interna.

Isso poderá não acontecer se desaparecermos dos altos fóruns, investindo apenas na juventude – os ditos alicerces – saindo porém dos “radares” da FIFA, e, consequentemente, do acesso aos respectivos apoios. Por outro lado, perder-se-ão factores motivadores para as nossas crianças e respectivos pais, que subalternizariam a opção pelo desporto competitivo.

Daí que o “edifício” poderá ser projectado com alicerces, mas do tejadinho para baixo. O que pretendo dizer?
Com um Moçambola que motive o envolvimento das multinacionais – e não só – abrindo portas para a contratação e “propagandação” de craques nos OI’s, poderemos ganhar tempo e espaço para a criação de BEBEC’s em massa, culminando em Academias. A partir daí, num curto prazo, o talento já provado e comprovado em períodos não muito distantes, irá despertar do adormecimento em que se encontra.

E a realidade actual tem demonstrado que a festa que o desporto-rei proporciona, semana a semana, traz ventos de emoção e esperança – tal como o gás – a soprarem do Norte, onde o Moçambola monopoliza conversas e exacerba paixões, ao contrário do que acontece na capital onde, mesmo em dias de derby, dificilmente se registam enchentes.

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