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“Moçambique significa muito para mim”

Já se passaram dez anos desde que Moçambique disputou pela última vez o Campeonato Africano das Nações, no culminar das eliminatórias combinadas de acesso ao CAN e Mundial 2010, provas realizadas em Angola e África do Sul, respectivamente.

Embora os Mambas tenham falhado a presença no primeiro Campeonato do Mundo havido  no continente  africano,  surpreenderam ao somar pontos na Nigéria e na Tunísia que lhe foram determinantes para se qualificarem ao Campeonato Africano das Nações.

Foi uma grande conquista para os Mambas e foi inspirado por Manuel José Luis Bucuane, mais conhecido por Tico-Tico, uma lenda do futebol moçambicano e melhor marcador de sempre da selecção nacional. De sua sombra surgiu um jovem e talentoso defesa de nome Edson André Sitoe, ou simplesmente Mexer. Nascido  em 1988,  Mexer cumpriu a promessa inicial de se tornar um esteio da selecção nacional de futebol. Mexer é dos poucos jogadores da actual geração dos Mambas que particiopou no Campeonato Africano das Nações Africanas de 2010.

“Quando você passa por alturas como essa, fica ainda mais triste por termos passado os últimos dez anos sem experimentar a alegria de nos qualificarmos para o campeonato africano ”, disse  o internacional moçambicano ao FIFA.com. “Passamos por momentos difíceis, mas agora temos muitos motivos para estar optimistas sobre o futuro da selecção nacional. Tal como tínhamos naquela altura, temos alguns jovens de qualidade que querem ter sucesso e que estão a tirar partido de jogar na Europa, a maioria deles em Portugal”, disse o central do Bordéus, em entrevista ao sítio da FIFA.

 

Feliz na França, herói em Moçambique

Tal como em 2010, a actual formação moçambicana conta com um jogador emblemático: Mexer. E, enquanto Tico-Tico jogou o seu melhor futebol pela selecção nacional, escreve a FIFA,  o defesa-central, que somou 50 internacionalizações e marcou três golos pelos Mambas, ganhou ainda mais respeito por se ter estabelecido na Europa.

Depois de provar o seu valor no campeonato português, onde evoluiu no  Olhanense e  Nacional, Mexer deixou a sua marca na França, impressionando primeiro no Rennes, onde venceu a Taça da França, em 2019, e agora no Bordéus.

“Já estou na França há seis anos e sinto-me tão estabelecido no campeonato como no próprio país”, disse Mexer em francês com um sotaque português. “E,  se a experiência que estou a adquirir na Europa pode ajudar Moçambique, tanto melhor. É isso que falta à nossa selceção. Obviamente, os adeptos esperam muito de mim porque jogo na Europa, mas acho que isso traz mais apoio do que pressão. Eu sinto que há muito respeito por mim”, revelou.

Mexer não é uma figura com quem se mexe em campo. Com 1,86 m de altura (1,86 m), o central  é rápido e combativo. Fora dele, no entanto, é uma personagem descontraída que deixa transparecer as suas emoções quando se fala na sua terra natal: “Moçambique significa muito para mim”, sublinhou. E acrescentou: “A emoção nunca muda quando você joga pela selecção. É especial. É avassalador. ”

 

Apuramento ao CAN e Mundial

Ainda bem, dado o retorno iminente do futebol internacional, após ter sido suspenso pela pandemia de Covid-19. Em África, isso significa a remarcação das  partidas de qualificação para o Campeonato Africano das Nações de 2021.

Moçambique está bem posicionado na fase de qualificação ao CAN, tendo iniciado a sua caminhada  com uma vitória sobre o Ruanda, por 2-0,  e um empate com Cabo Verde a duas bolas.

“Sejamos honestos e aceitemos que chegar ao Mundial é um pouco difícil para o nosso país”,  rematou Mexer, quando falava sobre a  campanha de qualificação ao Mundial na qual os Mambas estão inseridos no grupo “D”,  juntamemnte  com  Camarões, Costa do Marfim e Malawi. “No entanto, está em nosso sangue dar tudo de nós e acreditar que podemos fazer isso. Você nunca sabe. ”

A seu ver, um lugar no próximo  CAN é muito mais um objectivo e realista para Moçambique, com os Mambas actualmente à frente num grupo que conta com Camarões, Cabo Verde e Ruanda. “Perdemos muitas finais continentais nos últimos anos e é hora de fazermos as pazes”, disse.  Mexer finalizou, em entrevista ao sítio da FIFA: “Tenho a sensação de que o vento está a soprar em uma dirrecção diferente agora. Eu sou optimista.”

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