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Moçambique pode receber material bélico da UE para combater terrorismo

Foto: O País

A possibilidade foi avançada ontem pelo Chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, no balanço da visita de trabalho de três dias que efectuou à Sede da União Europeia em Bruxelas. O Presidente da República diz que estão a decorrer negociações nesse sentido.

Dentro de alguns dias, Moçambique poderá receber da União Europeia equipamento militar para reforçar no combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado. Depois de três dias e cinco audiências com lideranças da organização continental, o Presidente da República garantiu que “estamos a discutir nesse sentido” e avançou que “de certeza nós vamos ter apoios no sentido de equipamento que a própria União Europeia usa e que está nos Camarões”.

A informação surge num contexto em que as tropas da SADC, por exemplo, já apelaram por duas vezes por apoio internacional para financiar as operações em Cabo Delgado.

Os primeiros três meses da missão da SAMMIM em Moçambique estavam orçados em cerca de 12 milhões de dólares norte-americanos, valor que foi conseguido com a contribuição dos membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, SADC. Em Janeiro deste ano, a força regional decidiu prorrogar, já para a terceira temporada (também de três meses) a missão de combate ao terrorismo: desta vez a prorrogação custou 29 milhões de dólares americanos.

O Chefe de Estado moçambicano reconheceu ontem em Bruxelas que “manter tropas por seis meses com todos os custos inerentes não é uma tarefa fácil, por isso é que coloquei esse assunto na mesa”. E não parou por aí: “o combate envolve altos custos para os nossos parceiros. Porque os parceiros não vão continuar por muito tempo. As operações podem ser afectadas por causa da falta de capacidade em termos de recursos”, alertou.

Aliás, está bastante claro de que estamos perante uma preocupação regional: “acredito que os próprios países, como também a SADC, devem estar a colocar essas preocupações. Se aparecesse um país que apoia seria bom, porque seria um apoio concreto”.

Leia No meio destas palavras, Filipe Nyusi reconheceu que está numa jornada diplomática de busca de apoio para continuar a manter as tropas estrangeiras em território nacional. “Nós temos que fazer parte da mobilização de apoios para os nossos parceiros que estão a combater connosco, porque nós não temos como dar”, reconheceu. “Vontande é que não nos falta. Temos responsabilidade como um Estado”, clarificou.

A partilha, pelo Presidente da República, da preocupação de Moçambique em relação ao financiamento às tropas estrangeiras acontece cerca de duas semanas depois do responsável da missão da UE em Moçambique, destinada a treinar tropas contra a insurgência armada em Cabo Delgado, ter admitido apoiar o Ruanda que tem tropas destacadas na região norte do país. O vice-almirante Hervé Bléjean referiu que o Ruanda solicitou “um maior apoio financeiro” e que o chefe da diplomacia europeia “está bastante determinado a responder favoravelmente”.

Filipe Nyusi assume que está a busca de apoio “não só com a União Europeia, mas também com outros parceiros a nível internacional”, referindo que “fiz esse trabalho também em Adis Abeba com a União Africana e há formas através das quais eles pensam em apoiar-nos”.

 

RISCOS DE ALASTRAMENTO DO TERRORISMO

A advogacia pelo financiamento às tropas em Cabo Delgado é justificada pelo Presidente da República pela prevalência de sinais de que o terrorismo pode agravar-se ou, se quisermos, alastrar-se, caso não continue a haver firmeza “de quem está no terreno”.

“Apesar da situação ser encorajadora, termos recuperado as sedes distritais e termos algumas bases completamente destruídas e numa situação em que se coloca o inimigo a criar bases diária ou semanalmente, de um lado para o outro”, Nyusi alertou a União Europeia que “essa situação, a qualquer momento, pode voltar a evoluir e essa evolução pode expandir-se para outras regiões do país e outros países da região”, exemplificando a existência de dados sobre tentativas dos terroristas atravessarem para a vizinha Tanzânia. Tentativas frustradas graças a resposta da Força Conjunta.

O Presidente da República destaca, por outro lado, a importância da capacitação das forças nacionais, tendo em conta o risco de que as tropas do Ruanda e da SADC terminem a sua missão, sem que o Estado esteja preparado para continuar a fazer face ao problema. “Temos que ver se o país estará em condições de conter os ataques terroristas. Dissemos a eles que nossa outra preocupação é a reforma do sector da Defesa e Segurança, que é necessária porque é essa reforma que vai garantir a capacidade de resposta no futuro. A reforma significa a formação, especialização e o equipamento”.

Filipe Nyusi sai da União Europa com o balanço de uma visita de sucesso e ciente de que o bloco é sensível aos problemas de Moçambique.

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