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Moçambique no olhar dos principais partidos da oposição: Meio caminho andado no DDR

Foto: O País

Dados apresentados pelo presidente da RENAMO, Ossufo Momade, indicam que cerca de 63% das forças residuais desta formação política já se beneficiaram do processo de Desmobilização, Desarmamento e Reintegração, sendo que alguns foram integrados na Polícia da República de Moçambique (PRM).

Segundo dados apresentados esta quinta-feira pelo presidente da RENAMO, Ossufo Momade, até ao momento foram contemplados pelo processo de Desmobilização, Desarmamento e Reintegração (DDR) 3.267 antigos combatentes, sendo 3.141 homens e 156 mulheres, de um total de 5.221, o que representa 63%. Sem avançar prazos concretos para o fim do referido processo, Momade afirmou que a vontade do partido que lidera é ver o DDR concluído o mais rápido possível, como pressuposto para a manutenção da paz e reconciliação nacional.

Ainda sobre o DDR, Momade disse que foram formados 36 oficiais vindos da força residual da RENAMO a serem integrados na Polícia da República de Moçambique (PRM).

“É nossa expectativa que o processo de enquadramento nas Forças de Defesa e Segurança não seja interrompido e não conheça recuos, em respeito aos entendimentos alcançados”, afirmou Momade.

Sobre o terrorismo, o presidente da RENAMO disse que o conflito no norte do país tende a alastrar-se para as províncias de Niassa, Nampula e Zambézia, o que, na sua óptica, marcou negativamente o percurso do ano 2021.

“O país continua sem informação sobre a identidade e as motivações desses terroristas que, desde 2017, estão a semear luto e a destruir infra-estruturas e o sonho de vermos Moçambique a crescer economicamente”, desabafou o presidente da perdiz, lamentando, igualmente, o que considera de acção tardia do Governo no pedido de apoio externo em termos de intervenção e assistência militar para o combate ao terrorismo.

Não obstante o facto de o assunto já ter sido esclarecido pelo Presidente da República, aquando do seu Informe sobre o Estado da Nação, Momade considera que a Assembleia da República devia ter sido ouvida pelo Chefe de Estado sobre a intervenção militar estrangeira em Cabo Delgado. Momade disse que o partido que dirige não concorda com a atitude do Governo em relação a esta matéria que, na sua opinião, viola o princípio de Estado de Direito e Democrático, isto é, a Constituição da República.

Quanto ao capítulo das dívidas com garantias do Estado sem aprovação pela Assembleia da República, Momade lamentou o papel dos agentes do SISE envolvidos no calote, pelo facto de terem agido em contraste com os ditames legais, violando a confiança que o Estado moçambicano os conferiu e acusa o Presidente da República e o partido que ele dirige de despreocupação em relação ao desvio do dinheiro público.

“Era expectativa dos moçambicanos que, no dia 16 de Dezembro corrente, durante o seu Informe à Nação, o Presidente da República tivesse a coragem suficiente de explicar se as acusações que lhe são imputadas são ou não verdadeiras”, lamentou Momade.

No capítulo da pandemia da COVID-19, o líder da perdiz lançou apelo a todos cidadãos para continuarem a observar as medidas de prevenção anunciadas pelas autoridades, bem como aderirem ao processo de vacinação em curso, renovando o reconhecimento e apreço pelo trabalho dos profissionais de saúde no salvamento de pessoas vítimas do vírus.

Na área económica, o presidente da RENAMO diz que o país continua a debater-se com o elevado custo de vida, facto que dificulta o acesso aos produtos de primeira necessidade por maior parte das famílias moçambicanas.

A dependência do mercado externo na aquisição de bens e serviços essenciais é, segundo Momade, um entrave ao desenvolvimento do país, o que é para si questionável o facto de a agricultura não ser prioridade quando Moçambique tem extensas terras aráveis.

“Potenciar a agricultura nacional, na óptica deles, será perder o monopólio. Eles detêm o monopólio dos transportes, dos supermercados, até das pequenas, médias e grandes empresas”, afirmou Momade, questionando o programa SUSTENTA, o recente anúncio do agravamento de preços de transporte público de passageiros em Janeiro de 2022 na Cidade de Maputo, bem como o fraco investimento em infra-estruturas.

Com estes e outros factores, o presidente da RENAMO concluiu que 2021 foi um ano que não deixa boas lembranças, “não havendo, por isso, razões para celebrar”.

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