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Moçambique eleito ao Conselho de Segurança da ONU com 100% de votos

Foto: O País

Foi uma vitória expressiva para a diplomacia moçambicana que conseguiu, ao longo de quase dois anos de campanha eleitoral, convencer todos os países-membros das Nações Unidas a votarem na sua candidatura a membro não-permanente do Conselho de Segurança para o biénio 2023 a 2024. Foram, ao todo, 192 votos dos 192 possíveis, uma vez que a Venezuela, que é o 193º país-membro das Nações Unidas, foi impedida de votar por falta de pagamento de quotas. Para ser eleito, eram necessários apenas 129 votos, que representam dois terços dos eleitores.

Moçambique era candidato único da região africana e tinha a sua candidatura suportada pelos 53 países da União Africana. Os outros quatro candidatos também foram à eleição na mesma condição de Moçambique, mas conseguiram o seguinte resultado: Equador com 190 votos, Suíça (187), Malta (185) e Japão (185).

Após o fim da Assembleia-Geral, a delegação de Moçambique teve que se manter na sala das sessões plenárias por quase uma hora para receber os cumprimentos de quase todas as delegações que se dirigiram ao assento no nosso país para as felicitações. A forma calorosa como o país foi saudado pelos delegados daquela Assembleia-Geral, e pela forma expressiva da votação, é sinal de que o país goza de boa reputação dentro do sistema das Nações Unidas e a sua eleição é bem recebida pela comunidade internacional.

Na sua declaração após a eleição, a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, disse que Moçambique será a voz de África no Conselho de Segurança, uma vez que teve a sua candidatura endossada pela União Africana e que vai cumprir o seu mandato seguindo as seguintes prioridades: “o reforço do multilateralismo, do diálogo permanente e da resolução pacífica dos conflitos como o mecanismo privilegiado para o alcance da paz duradoura e sustentável. O combate às ameaças de segurança, incluindo o terrorismo, o extremismo violento, a pirataria marítima, o tráfico de drogas e de seres humanos, o fortalecimento global da resposta aos efeitos das mudanças climáticas são outras prioridades que o país vai perseguir”, mas também consta o impulso do cumprimento da Agenda do Desenvolvimento Sustentável, a advogacia da reforma do Conselho das Nações Unidas alicerçada nos consensos de Ezulwini e a promoção da equidade do género.

A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação agradeceu ainda a todos os países-membros das Nações Unidas que depositaram a sua confiança na candidatura de Moçambique, bem como os seus pares da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da União Africana (UA) que preferiram avançar para a eleição com apenas um único candidato.

A 1 de Janeiro de 2023, Moçambique vai substituir o Quénia no Conselho de Segurança, num mandato que deverá prolongar-se até 1 de Janeiro de 2025. O país conta, desde já, com o apoio dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança que, ao longo desta semana, garantiram à ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação que vão apoiar a integração do país e a viabilização da sua agenda dentro daquele organismo das Nações Unidas.

 

 EUA DIZEM QUE MOÇAMBIQUE SERÁ VOZ IMPORTANTE NO CS DA NU

O embaixador-adjunto dos EUA na ONU, Richard Mills, diz que a eleição de Moçambique é benéfica para o continente africano, e não só, e que o seu país está pronto para ajudar o país a desempenhar o seu mandato com sucesso.

Os EUA vêem Moçambique como um aliado importante para fazer passar naquele órgão matérias de grande interesse estratégico para o mundo e que procuram respostas urgentes da humanidade.

“É histórico Moçambique estar pela primeira vez no Conselho de Segurança. Moçambique é um importante amigo e parceiro dos Estados Unidos e vemo-lo a ser uma importante voz para África no Conselho, mas também um importante parceiro que vai realçar os valores dos EUA, um parceiro para toda a gama de assuntos com que o Conselho lida, como as mudanças climáticas, direitos humanos e segurança alimentar, que é uma matéria muito importante, e também ajudar o Conselho a lidar com os conflitos na Etiópia, Iémen e, claro, Ucrânia”, defendeu Mills.

A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação agradeceu pelo apoio norte-americano, que foi fundamental durante os dois anos do mandato de Moçambique no Conselho de Segurança.

Moçambique vai ocupar o cargo no biénio 2023-2024, sob o lema “Paz e Segurança Internacionais e Desenvolvimento Sustentável”.

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