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Moçambique é um dos cinco melhores países para investir em África

Moçambique é um dos cinco melhores países para investir em África, segundo avaliação da consultora de risco EXX Africa. Mas a consulta alerta que a implementação dos consensos sobre a paz, o combate aos ataques em Cabo Delgado e gestão da dívida pública são os principais desafios a resolver antes das eleições gerais de Outubro.

Moçambique e Angola estão entre os cinco países africanos recomendados pela consultora EXX África como os melhores destinos de investimento para este ano, juntamente com Etiópia, Gana e Mauritânia.
 
No relatório “Africa Investment Risk Report 2019” enviado aos investidores, a consultora apresenta as previsões de risco para este ano e sinaliza potenciais oportunidades de negócio e novos investimentos", num conjunto de estimativas que leva em linha de conta "os principais motivos para os riscos político e de segurança e económico, bem como outras tendências de mais longo prazo que podem determinar a trajetória de risco de um país".
 
Segundo escreve o Observador, citando a agência Lusa, a EXX África reconhece que Moçambique teve progressos significativos desde o colapso económico e financeiro de 2016, que teve como uma das causas a retirada do apoio directo ao Orçamento de Estado pelos doadores na sequência da descoberta das dívidas ilegais no valor de dois mil milhões de dólares.
 
Apesar de colocar Moçambique como um dos cinco melhores destinos de investimento em África para 2019, a consultora de risco EXX África alertam que o Governo de Filipe Nyusi tem três grandes desafios pela frente até às eleições gerais e provinciais de 15 de Outubro, nomeadamente implementar os consensos sobre paz efectiva com a Renamo, melhorar a capacidade de resposta aos ataques armados em Cabo Delgado e garantir uma resolução duradoura para o problema da dívida pública.

Os analistas fazem notar que as receitas do gás do Rovuma, cuja produção deverá iniciar em 2023, serão cruciais para a resolução do problema da dívida pública, que em 2017 estava em 113% do PIB. Aliás, o relatório mostra que os desenvolvimentos positivos nos projectos de gás natural estão a motivar cada vez mais uma reestruturação da dívida e o regresso do envolvimento dos doadores.
 
Para a EXX África, o regresso do Governo moçambicano à mesa de negociações com os credores, tendo acordado uma proposta preliminar de reestruturação da dívida soberana em Novembro, “está a ser motivado pelo forte desejo do Governo de voltar a se envolver com o FMI, porque o Estado precisa de milhares de milhões de dólares para financiar a sua própria participação nas concessões de gás”.

O Fundo Monetário Internacional cortou a assistência financeira a Moçambique há três anos, quando foram conhecidas as dívidas ilegais, à semelhança do que fizeram outros doadores, acabando por fazer o país cair em incumprimento financeiro e ficar afastado dos mercados financeiros internacionais.

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