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Moçambique deve promover integração das mulheres na área tecnológica

“Mulher, tecnologia e indústria”. Este foi um dos temas debatidos, neste dia inaugural da sétima edição da MozTech. Assim, estiveram no painel preparado para o efeito três mulheres entendidas em matérias tecnológicas, nomeadamente, Nilza Abdula, Vice-Presidente da MWE; Gércia Sequeira, Presidente da AMPETIC; e Jocelyne Machevo, Directora de Relações Exteriores/ ENI Rovuma.

 

Na partilha de experiências realizada esta quinta-feira, as três oradoras frisaram que Moçambique deve promover integração das mulheres na área tecnológica. Tal finalidade, realçaram, depende do envolvimento de várias forças sociais: o Estado, o sector privado, os professores, a sociedade em geral e os homens em particular, que não devem ver nas mulheres concorrentes, mas aliadas que partilham os mesmos objectivos na questão desenvolvimento do país, no caso, com recurso ao universo tecnológico.

Para Nilza Abdula, Vice-Presidente da MWE, é importante que haja estudos em que mulheres da sociedade civil possam dar o seu contributo, de modo que fique claro o que as mulheres sentem e pensam, pois só fazer diagnósticos de quais são os problemas não pode garantir o alcance das metas almejadas. Esta perspectiva depende da capacidade de mudar o paradigma, o que pode permitir aos intervenientes da sociedade aprender a ouvir as mulheres desde tenra idade, antes delas ingressarem para a universidade. Aliado a isso, acrescentou, as meninas precisam saber que podem escolher áreas diferenciadas. Evidentemente, essa tarefa de esclarecer as meninas não é exclusiva às mulheres.

Ao pensar-se na integração feminina em questões tecnológicas (muitas vezes conotadas como assunto dos homens), é preciso que se compreenda, segundo a Vice-Presidente da MWE, que a mulher nem sempre consegue estar disponível o mesmo tempo que os homens, por causa da maternidade, por exemplo. “Isso não deve ser barreira. Devemos encontrar soluções para essas questões”.

Nilza Abdula afirmou, no debate, que em Moçambique existem bastantes instrumentos que apoiam a inclusão da mulher. “Temos de reconhecer”. Entretanto, é necessário mexer um pouco mais com o sistema de educação para se aprimorar questões que tornem sustentável a integração da rapariga na indústria tecnológica. Segundo, “precisamos garantir que sabemos expor a nossa preocupação, sem medo de dizermos o que se passa. Sei que muitos estudos dizem que as mulheres se sentem discriminadas, mas muito está sendo feito para que as mulheres sejam integradas. Acredito que vamos crescer muito porque precisamos de mais mulheres para fazerem acreditar as outras que este mundo tecnológico é um lugar que se pode estar quando se quer. A MWE pretender ser um modelo que permita que as mulheres sejam modelos para outras, abrindo as mentes delas para o que as tecnologias estão a permitir”.

Igualmente interventiva, no debate esteve Gércia Sequeira. Para a Presidente da AMPETIC, existem mulheres no sector das tecnologias, entretanto, muitas delas são ofuscadas pelos homens, o que, de certo modo, impede que raparigas sonhem em ocupar certas funções dominadas pelos homens. “Fica a ideia de que as mulheres devem provar que são muito melhor que os homens, para que possam ter oportunidades nesta área. Mas as coisas começam a mudar. Tenho uma empresa na área de software há 10 anos e, para mim, por ser mulher, isso foi uma vantagem. Alguns dizem que é uma discriminação positiva. Estamos a caminhar. Qualquer dia chegamos lá”.

Gércia Sequeira entende que Moçambique tem problemas de acessibilidade às tecnologias, num contexto em que o mundo começa a nivelar-se. A este nível, a Presidente da AMPETIC adverte: “as tecnologias vão tornar visíveis o que temos de melhor e de pior. A questão principal é o que o país está a fazer para garantir que tenhamos mais de melhor, para que depois a tecnologia seja um meio para chegarmos ao fim que pretendemos”. Para o efeito, o comprometimento das instituições é fundamental. “Até porque as ideias existem e estão bem escritas”.

Às meninas que desejam ser referência no sector tecnológico, Sequeira disse que é preciso aprenderem a questionar sempre, pois as oportunidades, muitas vezes, estão ao seu redor. E sublinhou: “a tecnologia deve acelerar os processos. Se as mulheres devem aprender a usar as tecnologias nas suas actividades diárias, pois flexibilizam os processos. Falo de tecnologias como conhecimentos”.

Por fim, Jocelyne Machevo também enalteceu a importância de as mulheres desenvolverem habilidades que lhes permitam fazer uso das tecnologias. Por isso, disse a Directora de Relações Exteriores/ ENI Rovuma, o país deve trabalhar e criar mecanismo que garantam habilidades para as mulheres tirarem vantagens em termos de desenvolvimento tecnológico, o que exige acções que devem ser levadas a cabo pelo Governo e pelo país em geral, ligadas a infra-estruturas, políticas e meios tecnológicos. “É importante que o país se prepare em termos de boas práticas para que as tecnologias nos favoreçam. Temos de mostrar às mulheres que existe esta área. Muitas nem sabem que existe. Devemos divulgar às raparigas os cursos que existem, porque não podem escolher o que não sabem”.

A Directora de Relações Exteriores/ ENI Rovuma entende que os moçambicanos têm de promover a integração das mulheres na área das ciências e das energias. Para o efeito, elas devem perceber mais sobre o sector ainda novas, o que implica a sustentabilidade de um sistema de suporte forte. Além disso, “as empresas devem investir em políticas práticas sobre a inclusão de mulheres ao nível de decisão, com processos claros para que possamos chegar aos níveis ideais de liderança. E as empresas devem permitir a monitoria para que as mulheres possam evoluir”.

 

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