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Moçambique deve apostar na formação, investigação, bloqueio e mapeamento para responder aos desafios da produção de hortícolas

A falta de conservação das hortícolas, o acesso ao mercado e transporte são problemas antigos, que voltaram a ser apontados, na manhã de hoje, como os principais desafios da produção de hortícolas no país.

Falando da sua experiência de terreno, Spensa Dambikwa, produtor de hortícolas em Goba, província de Maputo, defende que é preciso munir os agricultores de conhecimentos.

“Nós precisamos saber como fazemos para conservar os nossos produtos. Nós produzimos muito, mas por não ter formas de conservação, ficamos sem nenhum lucro, porque a preocupação é despachar o produto. Daqui a pouco vamos vender tomate a preços muito baixos, porque não temos como conservar. Se tivéssemos fábricas por exemplo, de processamento de tomate, para fazer massa de tomate, ia ajudar muito também”, disse.

Por seu turno, o coordenador de produção agrícola da Agribusiness Systems, Gabriel António, sugere um bloqueio das importações dos produtos já existentes no mercado nacional. “É preciso criar mecanismos para bloquear produtos internacionais, com destaque para as hortícolas que vem da África do Sul. Só assim se vai estimular a produção local. E os produtores também devem ser consistentes. Actualmente nota-se que eles podem oferecer 1 tonelada de tomate em uma semana. Mas na semana seguinte já não conseguirem dar a mesma quantidade. Então precisamos melhorar esse aspecto. Só assim vamos alcançar a soberania alimentar”, disse António.

De acordo com o representante da Syngenta, Carmona Cossa, os desafios elencados, podem ser respondidos apostando no mapeamento. “Na cintura da cidade de Maputo só temos alface e couve. Na província de Maputo não temos cebola. Essas limitações fazem com que tenhamos que importar. E como não fazemos o mapeamento, para ver quais são as áreas em condições de produzir repolho, cebola, pepino durante todo o ano. E em função disso apostar nesses locais, para evitar a escassez em outras épocas ao longo de todo o país”, disse.

Para o investigador Hélder Zavale, a investigação deve ser orientada para responder as necessidades do consumidor. “Devíamos, por exemplo, apostar na produção de sementes que duram mais tempo. Mas notamos que a investigação ainda deixa a desejar. A resolução desses desafios podia vir da investigação. Mas temos estado a falhar. Precisamos de apostar mais na investigação na área agrícola”.

Já o chefe do departamento de agricultura no Conselho Autárquico de Maputo destacou a necessidade de se apostar na qualidade. “Nunca faltaram hortícolas na cidade. Mas devemos ir buscar fora por questões de qualidade, que vão variando em função das mudanças de tempo. Estamos a testar o sistema de estufas, para produzir algumas culturas, mesmo em épocas pouco favoráveis. O outro desafio é assegurar água, porque as hortícolas exigem muita água; o escoamento e as vias de acesso, também, devem ser tomados em conta, para”, Estevão João.

O painel que juntou Spensa Dambikwa, produtor de hortícolas em Goba, província de Maputo, Estevão João, chefe do departamento de agricultura no Conselho Autárquico de Maputo, Hélder Zavale, docente universitário e investigador, Carmona Cossa, representante da Syngenta e Gabriel António, coordenador de produção agrícola da Agribusiness Systems esteve subordinado ao tema “Os desafios da produção de hortícolas”.

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