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MISAU precisa de USD 300 mil por ano para combater lepra

Moçambique é um dos países que até o ano 2000 notificava, anualmente, mais de cinco mil novos casos de lepra. No entanto, gradualmente, devido aos esforços das autoridades sanitárias e os seus parceiros, sociedade civil e outros, foi possível alcançar, em 2008, níveis de eliminação.

Nesta época, apenas uma pessoa em cada 10.000 habitantes é que tinha a doença, mas a cifra não foi alcançada de uma maneira uniforme em todas províncias como é o caso de Cabo Delgado, bem como alguns distritos das regiões centro e norte do país.

Analisando os dados dos últimos anos, as autoridades de saúde intensificaram as suas acções para eliminar a doença e em 2017 o Ministério da Saúde recebeu da Fundação Sasakawa apoio financeiro estimado em cerca de 150 mil dólares para aplicar e apoiar as zonas endémicas, ou seja as zonas identificadas com mais bolsas de lepra.

Segundo o Ministério da Saúde, o valor recebido não é suficiente. A instituição considera que para eliminar a doença, o sector da saúde precisa de cerca de 300 mil dólares, anualmente.

“Em 2015 foram notificados, 1.335 casos novos de lepra e identificados 23 distritos endémicos, principalmente nas regiões centro e norte do país. Já em 2017, com o incremento das actividades de busca activa, o número de casos novos notificados aumentou, tendo sido registados 1.926 casos novos contra 1681 de 2016”, disse Francisco Guilengue, representante do MISAU.

A fonte acrescentou que como resultado do aumento e melhoria das intervenções comunitárias, o número de novos casos em 2017 aumentou em mais de 15 por cento, isto é, em 2017 foram notificados 1926 casos novos contra 1681 de 2016 e o número de distritos endémicos aumentou de 34 para 44 distritos com destaque para as regiões norte e centro do país, principalmente a província de Nampula, onde os casos duplicaram, o que evidencia existência de casos de lepra não diagnosticados e sem tratamento nas comunidades.

Ainda de acordo com o representante do Ministério da Saúde, Francisco Guilengue, nos primeiros seis meses de 2018, foram registados 951 casos novos de lepra em todo o país contra 684 de 2017 com uma evolução de 39 por cento comparativamente ao ano transacto, tendo a província de Nampula notificado o maior número de casos, isto é, 553 seguida de Zambézia com 121 e por fim a província de Cabo Delgado com 84 casos novos.

As autoridades prevêem aumento de casos novos de lepra com a realização de mini campanhas nas províncias que registam algumas bolsas de lepra, nomeadamente Niassa, Tete, Sofala e Gaza.

O Ministério da Saúde diz que, actualmente, o país ainda continua a registar alguns distritos com bolsas de lepra principalmente nas regiões centro e norte. Várias actividades estão a ser realizadas com destaque para a busca activa dos suspeitos, envolvendo activistas comunitários, voluntários, pessoas afectadas pela lepra organizadas em grupos de auto-cuidados e adesão comunitária.

 

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