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Mirko Manzoni elogia lideranças no processo de implementação do DDR

O diplomata, que falava numa palestra organizada pela Universidade Pedagógica, manifestou confiança no processo de paz, mas chamou atenção para resolver questões da partidarização do exército e questões eleitorais

O representante especial do secretário-geral das Nações Unidas elogiou o empenho do Presidente da República e do líder da Renamo, no processo de Desmobilização, Desmilitarização e Reintegração.

Mirko Manzoni, que falava ontem numa palestra, com o tema: Desmilitarização, Integração e Reconciliação (DDR), organizado pela Universidade Pedagógica de Maputo, apontou o alinhamento entre Filipe Nyusi e Ossufo Momade, como um dos factores que está a trazer maior vitalidade ao processo.

“O discurso do Presidente da República e o presidente da Renamo, o General Ossufo Momade, parece alinhado, parece o mesmo. Agora, é preciso apoiarmos este diálogo entre as lideranças”, disse o diplomata.

Segundo Manzoni, há pouco mais de cinco mil militares da Renamo inscritos para o processo do DDR e até ao momento, pouco mais de 900 já estão desmobilizados e integrados nas comunidades, e prevê que o dossier esteja encerrado até finais de 2021.

Durante a palestra, que teve momentos de diplomaticamente (in)correcto, o enviado especial de António Guterres respondeu, sem tabus, algumas questões de alguma sensibilidade.

Sobre as reivindicações da Junta Militar de Mariano Nhongo, Manzoni disse que tudo tem resposta no acordo de Paz assinado ano transacto na capital do país, pelo que, o razoável é que adiram ao DDR.

“O que procura Mariano Nhongo, a oportunidade é lá. Agora é uma decisão entre ficar no mato, construir o futuro com as famílias ou matar pessoas na rua. Porque as reivindicações da Junta (Militar) fica no acordo de paz”, explicou.

Com uma plateia composta por Académicos, políticos e estudantes, Mirko Manzoni abriu o peito para falar de vários aspectos da actualidade nacional, incluindo a alegada partidarização das Forças de Defesa e Segurança, deixando críticas para qualquer controlo deste segmento do Estado pelos partidos.

“Não podemos ter partidos políticos armados. Esta é uma discussão que em Moçambique é preciso haver, para clarificar o que é o Estado, o que é o Governo e o que é o partido, porque o exército não é um instrumento de um partido. O Exército é o Estado”, frisou.

Tendo em conta que, geralmente as eleições são um potencial de conflitos, apelou para que os partidos acertem agora as suas contas.

“Nas eleições passadas houve problemas, mas agora, o tema das eleições parece que não é prioridade em Moçambique temos, hoje, de discutir o que foi o problema no sistema eleitoral porque querer discutir isso um ano antes das eleições não vamos resolver o problema”, exortou.

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