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Ministra do Interior reconhece que DNIC presta mau serviço ao público

Arsénia Massingue assistiu ontem, de perto, ao sofrimento passado há anos por quem quer tratar bilhete de identidade. Má prestação de serviço e enchentes são alguns dos problemas por si presenciados. Sem avançar acções concretas, a ministra do Interior promete tomar.

Mais uma vez, a Direcção Nacional de Identificação Civil nas manchetes, mas, desta vez, pela negativa. É que, depois de várias denúncias de mau atendimento, corrupção e total desorganização no processo de emissão de bilhetes de identidade, a ministra do Interior efectuou, ontem, uma visita relâmpago aos postos da 24 de Julho e Eduardo Mondlane e a constatação não é nova.

“Os problemas são visíveis. Enchentes, má gestão das filas, tanto que há pessoas que estão aqui, desde às 06 horas da manhã, à espera do atendimento. Há, por isso, necessidade de tomarmos medidas urgentes para mudar o cenário”, disse Arsénia Massingue, ministra do Interior.

Questionada sobre a eficácia do sistema de pré-marcação, a governante reservou-se a comentar, dizendo haver necessidade de aprofundar mais sobre os aspectos que giram em torno do sistema, “mas que há problema, há e é preciso corrigir”, disse.

Na verdade, com a implementação do atendimento por pré-marcação, seguindo a orientação do Presidente da República, a Direcção Nacional de Identificação Civil (DINIC) pretendia minimizar, entre vários outros, o problema das enchentes. Mas, ficou só no querer, segundo contam alguns utentes que, expostos ao sol, com fome e cansados de esperar, desabafaram aos nossos microfones.

Na manhã desta quarta-feira (5), o cenário que se viveu no posto da 24 de Julho foi de enchentes e de muita agitação. O porta-voz da DINIC disse que a culpa é dos munícipes que fogem nos postos onde há, por obrigação, pré-marcação, para estar ali, onde ainda funciona o sistema de filas.

No terreno, havia cerca de 100 pessoas aguardando a vez para tratar o bilhete de identidade.

Joaquim Macamo, um dos utentes que aceitou conversar com “O País”, contou-nos que havia pessoas que tenham chegado antes das 06 horas, mas podiam não ser atendidas ontem, porém, por várias vezes, viu pessoas chegarem depois das 10 horas e, em menos de vinte minutos, saírem com talão na mão.

Esta quinta-feira (6), o posto da Avenida Eduardo Mondlane registou um cenário pior. No local, funciona o sistema de pré-marcação, ou pelo menos deveria funcionar. As enchentes contrastavam com a intenção das autoridades e os utentes denunciam, igualmente, cenários de corrupção.

“Esta coisa de pré-marcação não serve para nada, é zero à esquerda. Aqui, onde estamos, há pessoas que estão marcadas para oito, nove até dez horas, mas, até agora, não foram atendidas. Ficamos muito tempo nestas longas filas e, quando vêm, só levam cinco pessoas”, disse Mondlane.

Tânia Manuel foi mais radical. Disse preferir que se voltasse ao modelo anterior, onde cada pessoa sabia que tinha que chegar cedo para ser atendido, porque o sistema de pré-marcação só complica a vida das pessoas.

Fala-se de desorganização, deficiência do sistema, mas, mais do que isso, há quem teve que desfazer as tranças coloridas para poder ser atendido.

Sem indicar quais medidas a tomar, Arsénia Massingue disse ser urgente imprimir mudanças na prestação de serviços de identificação civil no país, para devolver dignidade à entidade. No entanto, enquanto não se tomam as medidas, os utentes poderão continuar a viver o pesadelo por tempo ainda não definido.

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