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MINEDH propõe uso de plataformas digitais para alfabetização de adultos

Foto: O país

Trinta e nove por cento da população moçambicana continua sem saber ler, nem escrever, muito menos contar. A situação agravou-se com a pandemia da COVID-19 e, para reverter o problema, o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH) propõe que o Governo aposte na alfabetização digital.

Celebra-se a 8 de Setembro o Dia Internacional da Alfabetização, data que lembra que 39 em cada 100 pessoas não sabem ler, nem escrever, muito menos contar em nenhuma língua. Uma vez que o contexto da COVID-19 impõe uma nova dinâmica, o Governo, representado pelo Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, em parceria com a UNESCO e outras organizações da sociedade civil, estudam formas de introduzir as novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) neste subsistema de ensino.

“Sabemos que os outros sistemas ainda enfrentam dificuldades no aprimoramento das novas tecnologias, mas não podemos ficar de braços cruzados”, começou por explicar Gina Guibunda, porta-voz do MINEDH, tendo a seguir avançado que “acabamos por nos aperceber de que as Tecnologias de Informação e Comunicação são o futuro e é o momento para nós, como sector da Educação, reflectirmos de forma profunda sobre como podemos abraçar este desafio e transformá-lo numa oportunidade, para que todos os moçambicanos possam ter o domínio de todas as plataformas a que nos referimos”.

Para o Movimento Educação para Todos (MET), um dos parceiros do MINEDH, a redução do analfabetismo ainda é um desafio que passa por um maior investimento neste subsistema de ensino e apostar nas plataformas digitais é uma alternativa, mas é preciso ter em conta que “ainda temos muitas pessoas que não têm acesso à energia, televisão e rádio para acompanharem as lições. Mais do que isso, seria necessário criar-se uma possibilidade de se monitorarem os participantes”, avançou Abel Sainda, representante do MET.

Mesmo com estes constrangimentos, Abel Sainda diz ser urgente a criação de plataformas digitais de ensino para os alfabetizandos e isso ajudaria a minimizar os impactos negativos causados pela pandemia. “Só para se ter uma ideia, neste período da COVID-19, muitos centros de alfabetização continuam encerrados, porque muitos funcionam em igrejas e estas estão fechadas no âmbito das medidas de prevenção.”

Para o vice-ministro da Educação e Desenvolvimento Humano, Manuel Bazo, a passagem para uma alfabetização digital requer uma preparação de todos os intervenientes neste processo. “Devemos, neste momento, reflectir sobre a estratégia e métodos para a exploração da literacia digital, de modo a acelerar a alfabetização na conjuntura actual.”

Actualmente, o país conta com 206 mil alfabetizandos e o Governo prevê, até 2029, alfabetizar, anualmente, 500 mil jovens, priorizando as províncias com taxas de analfabetismo que se situam acima da média, tais como Cabo Delgado, Niassa, Nampula e Zambézia.

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