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Militares acusados de matar, estuprar e ferir inocentes em Nampula

Mais um episódio de violência ganha repercussão em Nampula, agora, tendo como actores principais militares de um quartel localizado no bairro de Mutava Rex, a escassos quilómetros do centro da cidade capital.

Tudo começou no final da tarde de domingo. Uma mulher (grávida) e a filha fazem-se à zona de servidão militar à busca de lenha e outros alimentos. De regresso à casa são abordadas por militares que obrigam a menina de 14 anos a ir deixar o molho de lenha no quartel, alegando que aquela área não é de acesso para a população.

A mulher espera pela filha. Esta segue com dois militares fardados. De regresso, no crepúsculo do sol, eis que um deles aborda a adolescente com violência e força um acto sexual, segundo relatos da suposta vítima. Encabulada, chocada e ainda a levar com a pancada psicológica do acontecimento, a menina abre-se à nossa equipa de reportagem com a voz trémula e quase que a falar em sílabas tentando retractar o que vivera: “quando eu estava a chorar, me pegou e eu caí, daí começou a me agredir”. Uma agressão sexual esclarece, em palavras próprias de criança que não está habituada a falar desse tipo de coisas: “tirou-me roupa”, esclarece.

O pai toma conhecimento e com os nervos à flor da pele vence o medo e invade o quartel onde mete-se em discussão e luta com o presumível violador da filha. Ai começa outro capítulo da violência. No dia seguinte, quatro militares munidos de armas de fogo do tipo AKM entram no bairro à procura do homem em causa. A população furiosa enfrenta o grupo que põe-se em fuga. Já na estrada que sai de Nampula para Nacala (a mesma direcção do quartel), um deles, vira e dispara contra a população, alvejando mortalmente um jovem de 20 anos e ferindo uma criança de 10.

No momento da gravação da reportagem, um grupo de militares se fez ao bairro para se inteirar da ocorrência, e aconselhar a família do malogrado para que não retirasse o corpo da morgue antes da perícia do Serviço Nacional de Investigação Criminal. No entanto, a mesma mostrou-se indisponível para gravar entrevista.

A adolescente que sofreu violência sexual, deu entrada nos serviços de medicina legal do hospital provincial de Nampula, nesta terça-feira. Frederico Sebastião, medico e chefe do banco de Socorros do Hospital explicou que, seria necessário que se fizesse alguns exames para provar a violação, e a posterior seria aconselhável que ingerisse profilaxia (medicamentos para evitar algumas doenças e gravidez indesejada).

No mesmo hospital visitamos o menino baleado no braço e soubemos do médico que o mesmo foi atingido ligeiramente no músculo do braço esquerdo.

A nossa equipa de reportagem contactou o comando militar na cidade de Nampula, mas não quis prestar declarações sobre o caso. Já a Polícia promete reagir nesta quarta-feira.

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