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Miguel Mkaima exalta papel das escolas da Frelimo na emancipação de Moçambique

O antigo ministro da Cultura, Miguel Mkaima, defendeu, esta quinta-feira, que a educação desempenhou um papel determinante no desenvolvimento da consciência libertadora na população, facto que contribuiu para a independência do país. Miguel Mkaima falava na cerimónia de abertura das festividades dos 50 anos das escolas da Frelimo.

O legado da Frente de Libertação de Moçambique e o papel da educação no processo de luta pela liberdade foi o pano de fundo do arranque das festividades dos 50 anos das escolas da Frelimo.

Na sua intervenção, Miguel Mkaima, coordenador da iniciativa, defendeu que a aposta na educação ajudou os moçambicanos na luta pela emancipação porque, na opinião das lideranças, não bastava treinar pessoas, era também preciso trabalhar as suas consciências.

“A Frelimo insistiu na importância e necessidade de ter formação do homem-novo, para o avanço da própria luta. É assim que para Eduardo Mondlane a educação era uma condição político-ideológica básica para o sucesso da luta, pois o problema do treino não envolvia apenas o aspecto militar, mas sim a formação integral do homem”, disse o antigo ministro da Cultura, recordando a filosofia da criação das escolas.

“A formação integral do homem compreendia três eixos da revolução, ao lado da produção e combate, orientados pela palavra de ordem: estudar, produzir e combater. É assim que a educação não era apenas uma tarefa exclusiva dos professores, mas sim de toda a sociedade, incluindo os próprios guerrilheiros”, contou o antigo governante.

Miguel Mkaima, antigo embaixador de Portugal e Cuba, disse igualmente que a ideia de apostar na educação como elemento crucial para o desenvolvimento das consciências não morreu com Mondlane, sendo que os dirigentes que se seguiram deram a mesma importância.

“A incomensurável importância da educação inspirou Samora Machel a compreender que a acção armada que se apresentou como a única alternativa para a conquista da independência nacional só lograria sucesso ao “fazer da escola uma base para o povo tomar o poder. É assim que criou a necessidade de ter gente com qualificações técnicas e um certo nível de educação básica para o domínio da luta em todas frentes”, reiterou.

Mkaima avançou ainda que as celebrações dos 50 anos das escolas da Frelimo têm em vista a transmissão de valores à nova geração, sem esquecer que hoje os desafios são diferentes.

“Hoje, novos desafios se impõem, entre eles a consolidação da democracia multipartidária e a reforma democrática do Estado. Para os jovens esta será uma óptima oportunidade de interagir com os mais experientes, recebendo a experiência daqueles que trilharam este modelo de ensino. Para a sociedade civil, será um momento de reflexão sobre o sentimento de pátria. Todos somos devedores desta geração, pois a formação pela qual passaram possibilitou abertura a novos horizontes. É bom que isto seja lembrado”, concluiu.

O ponto mais alto das celebrações dos 50 anos das escolas do partido Frelimo será a 25 deste mês, dia em que se lembra a criação da primeira escola Frelimo em Bagamoyo, na Tanzânia, em 1970. A cerimónia contará com a presença do Presidente do Partido, Filipe Nyusi.

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