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“Michafutene” realiza em média 20 enterros por dia e o pior está à espreita

Com a COVID-19 a matar cada vez mais no país, 20 corpos são, em média, enterrados diariamente no cemitério de Michafutene, na província de Maputo, e a administração diz já se ressentir da pressão.

Só quarta-feira última, o Ministério da Saúde anunciou mais 32 óbitos, o maior número desde a eclosão da pandemia da COVID-19 em Moçambique.

Uma vez que a situação tende a agravar-se diariamente, esta quinta-feira, “O País” fez-se ao cemitério de Michafutene, o único destinado a receber corpos de vítimas da COVID-19, na cidade e província de Maputo.

Naquele local, o cenário é de dor e pranto dos parentes que dão o último adeus aos seus ente queridos. Não é para menos! A doença, que desde Março do ano passado arrasa o país, não dá tréguas.

“Só nesta manhã, 10 corpos foram enterrados. Do jeito que está a situação, até o fim do dia, poderemos ter 20 funerais realizados no cemitério”, disse Alfredo Faife, administrador do cemitério de Michafutene.

Enquanto algumas famílias se despedem, outros aguardam para fazê-lo. À nossa chegada ao cemitério, dois corpos tinham sido enterrados havia bem pouco tempo e mais cinco viaturas de agências funerárias estavam em fila para, de seguida, descarregar as respectivas urnas. O cenário é, diga-se, desolador!

“Como pode ver, temos aqui corpos ainda por enterrar. Estamos quase todo o momento a receber famílias, o que requer prontidão por parte da nossa equipa”, afirmou Alfredo Faife.

À vista, é possível ver mais campas no local reservado para enterrar os corpos das vítimas da COVID-19 que, ao mesmo tempo, vai alargando a sua extensão.

A administração local assegura que o cemitério ainda está longe de esgotar a sua capacidade, mas não esconde o receio por dias piores.

“Estamos cada vez mais pressionados, mas ainda há condições para controlar a situação, até porque tivemos um reforço de meios e trabalhadores”, assegurou o responsável do cemitério.

A tristeza é “incalculável”, que o diga Pedro Bié, que perdeu a sua mãe, por causa do Coronavírus. “Perdi a minha mãe. É uma perda irreparável. Assim estou desamparado”, expressou-se em prantos.

O crescente número de funerais de vítimas da COVID-19 no cemitério de Michafutene é proporcional ao aumento do número de mortes pela doença nos últimos dias. Enquanto durar a situação, os apelos, diga-se, ensurdecedores, continuarão a soar.

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