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Mia Couto entende que foi dada a Mariano Nhongo toda a possibilidade de negociar

No dia do lançamento do seu mais recente livro de contos, O caçador de elefantes invisíveis, na Fundação Fernando Leite Couto, na Cidade de Maputo, Mia Couto disse aos jornalistas que aproveitaram a ocasião para perguntar ao escritor o que acha da morte de Mariano Nhongo, o líder da Junta Militar da Renamo. Durante a breve conversa sobre o tema, Mia Couto começou por dizer que é comum nas grandes guerras civis, que se arrastam, a existência de dissidências, de gente que não aceita e que se revolta. Segundo o escritor, o que o grupo de Mariano Nhongo fazia era terrorismo, pois matavam civis em nome de uma ideia, de uma partilha de poder. “Portanto, não é aceitável”.

Esta quarta-feira, Mia Couto disse ainda “acho que está claro para todos nós que foi dado a este senhor todas as possibilidades de negociar, de se sentar. Não se pode legitimar esta via de que alguém que esteja em discordância com o Governo fabrique uma pequena guerra e, depois, tente com isso obter vantagem política. Está aberta uma democracia em Moçambique, em que as pessoas podem participar de uma outra maneira, de uma maneira cívica, sem usar a violência. Infelizmente, ele próprio, Nhongo, escolheu este fim”.

Com a morte de Mariano Nhongo, o escritor não sabe dizer se isso significa o fim ou não dos ataques no Centro país. “Não conheço a matéria. Acho que, mais uma vez, aqui tem de se fazer uma política ambivalente. Isto é, é preciso, mais uma vez, reprimir essa violência. O Estado não pode autorizar essa violência. É preciso continuar a abrir portas para esses outros queiram se juntar, render-se e ter essa crença que possam ser recebidos com justiça”.

Por fim, Mia Couto afirmou que é bom que as pessoas não se esqueçam de que as práticas da Junta Militar, durante muitos anos, foram sistematicamente protagonizas por um movimento que, num outro contexto, fazia uma guerra que era muito dirigida contra as pessoas que não eram militares.

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