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Menor morre atingido por uma bala

Joaquim Flate Mangwazi, de seis anos de idade, perdeu a vida ontem, quando uma bala o atingiu na zona do tórax, presumivelmente disparada por um dos militares de um quartel próximo do bairro.

O incidente aconteceu no quarteirão nove, no bairro de Sidlhwava. Segundo os populares, o tiro que atingiu a criança teria sido disparado por militares que, durante a semana, têm estado a realizar exercícios militares.
Ercílio Mboana é um dos residente do bairro e diz ser frequentes os tiros a partir do quartel.

“O que aconteceu, deveu-se aos treinos dos militares, estavam a disparar tiros para cá e atingiram uma criança em casa”, explicou Mboana.

A preocupação deste morador prende-se também com o facto de as queixas dos residentes, em relação aos tiros, não estarem a ser ouvidas.

“Nos já apresentamos o problema, mas nunca temos a resposta”, disse.

No local, o “O País” encontrou um dos menores que estavam com a vítima na hora do incidente e revelou que se encontravam no interior de uma casa de construção precária quando ouviram um ruído. Ele estava sentado e dois dos seus amigos, incluindo a vítima, estavam de pé.
 “Eram dois que estavam de pé, aquele que estava atrás saltou e o  outro, que estava à frente, não percebeu que era uma bala. Atingiu-lhe. Eu segurei-o e perguntei: o que se passa?

Não falou, depois caiu. Eu disse Quito acorda, Quito acorda, não acordou”, contou.

Albertina Bila, outra residente do mesmo bairro, diz que a sua casa também já foi atingida por um tiro disparado por militares em treinos e perfurou uma panela.

“Já estamos cansados dos militares, quando disparam apontam para as nossas casas e sempre temos que nos esconder com as crianças, e agora mataram o nosso filho”, desabafou.

O corpo do menor foi removido pela SERNIC. Na ocasião, o comandante da nona esquadra na Matola, Gilberto Inguane, disse que, apesar de ser verdade que os exercícios militares no quartel local incluem disparos, era prematuro relacionar esse facto com a morte da criança.

“Não podemos dizer se a morte da criança é consequência directa do exercício dos militares, há que dar tempo a quem é de direito para investigar. Não podemos adiantar muito quanto a isso”, concluiu.
O responsável militar que se encontrava no local não quis prestar declarações ao nosso jornal.

Mas as queixas dos residentes em relação aos militares não terminam por aqui. Aliás, a morte deste menino veio agudizar o descontentamento dos moradores que dizem que têm passado por maus momentos, principalmente quando circulam pelas ruas próximas do quartel. Estes alegam que entre as sevícias que passam, incluem-se espancamentos, violações e extorsões.

“Violam nossas velhas, arrancam-lhes enxadas e ameaçam-nos quando se cruzam connosco”, disse Ercílio Mboana.

“Eu já fui arrancado documentos sem nenhum motivo, fui atrás e encontrei. Quando nos encontram, nas machambas, batem-nos e violam-nos, mas eles estão aqui para nos proteger. O que nós queremos é que eles sejam transferidos para outro sítio”, apelou José Mazive, outro residente.

 

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