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Medicina tradicional pode reduzir custos de importação

Sentir uma dor no dente e recorrer a raiz de uma planta para aliviar, tomar água de cacana para controlar uma dor de barriga ou mesmo misturar mel, gengibre e limão para tratar uma gripe são práticas antigas, que ainda são merecedoras de confiança, mesmo com os avanços da medicina convencional.

Aliás, o recurso a plantas, raízes, e ervas medicinais muitas vezes recomendada por médicos tradicionais é mais comum do que se pode pensar. Dados do ministério da Saúde (MISAU) indicam que em 2010 o Sistema Nacional de Saúde só abrangia 40 por cento da população e que os restantes 60 por cento eram assistidos pela medicina tradicional. Já em 2015, de acordo com o MISAU, a medicina tradicional era usada por 75 por cento da população.

Estima-se que existem no país cerca de 5 500 espécies de plantas das quais metade são medicinais. Na lista das vantagens da aposta em medicamentos naturais pesquisadores destacam a redução da factura de importação de medicamentos e o consumo de medicamentos naturais, cujos benefícios para longevidade já foram comprovados em países, tais como a China e o Japão.

O centenário mercado do Xipamanine, na capital do país é um dos principais fornecedores de raízes, plantas, ervas, peles de animais, entre outros elementos usados pelos médicos tradicionais nos seus rituais curativos. Actualmente, estima-se que haja 200 vendedores que por lá fazem o negócio, que exige uma capacitação.

“Eu vendo medicamentos há 15 anos. Antes de começar tive uma formação que durou seis meses para poder conhecer todos medicamentos”, contou o jovem Maulito Banze à nossa reportagem.
Embora as vantagens do uso de medicamentos naturais sejam amplamente divulgadas, o consumo desmedido pode perigar a saúde.

Os vendedores excluem-se da responsabilidade da indicação das dosagens.

“Quem vem para cá comprar medicamentos vem com receita. A receita é passada por um médico tradicional ou por alguém que entende de medicamento e lá vem escrito a dosagem. Nós só sabemos vender, as quantidades não são da nossa responsabilidade”, alegou Banze.

A auto-medicação é igualmente apontada como outro constrangimento que não raras vezes leva a situações de overdose.

“Há pessoas que vêm comprar medicamentos sem terem sido receitadas por médicos tradicionais. Mas como elas chegam aqui e tratam as ervas e raízes pelos seus próprios nomes é difícil não vender, porque isto é um negócio e também queremos retorno”, disse o presidente da Associação dos Vendedores de Medicamentos Tradicionais (AVEMETRAMO), Simião Langa.

Nos últimos anos, cresce o interesse pela pesquisa das espécies existentes no país. A obra “Plantas alimentares e medicinais em Moçambique” lançada em Fevereiro do ano corrente é um dos resultados desse interesse. A publicação que tem como um dos principais objectivos combater a desnutrição crónica, além de trazer informações das propriedades terapêuticas e nutricionais das plantas alimentares e medicinais, a publicação traz orientações das diferentes formas de confeccionar e ingerir alimentos fáceis de encontrar nos mercados locais a um preço acessível.

 

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