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Matola: 46 anos de problemas crónicos, mas também de conquistas

Longas filas nas paragens – um dilema do dia-a-dia -, estradas esburacadas – um martírio para os automobilistas -, águas estagnadas – uma preocupação de saúde pública, deficiências no sistema de drenagem – um sofrimento nos dias chuvosos -…estas são algumas das preocupações dos munícipes da cidade da Matola que, hoje, celebrou 46 anos de elevação à categoria de cidade. Mas nem tudo vai mal… “Noto que houve alguns avanços, veja que agora há mais construções convencionais, as pessoas tendem a construir à base de materiais mais resistentes. Assistimos a novos empreendimentos comerciais e a uma maior organização do território. Vejo também com algum agrado a melhoria de algumas vias de acesso”, detalhou Fausto Xavier, munícipe daquela cidade que foi subsidiado por Tomás Sitoe.

“A cada dia que passa, há novos desafios, mas há indicadores positivos, sobretudo na construção de infra-estruturas como estradas, estabelecimentos comercias com destaque para supermercados. Note-se também, o surgimento de grandes indústrias, o que faz desta cidade um destino preferencial para negócios”, destacou

Já Braz Viagem defendeu que o município deve se esforçar mais para satisfazer os seus munícipes. “Sofro bastante com o transporte, as longas filas que caracterizam as paragem são o retrato do sofrimento de cada munícipe que depende do transporte público para chegar aos seus destinos. Outro constrangimento é a questão do sistema de drenagem. É só notar que quando chove os nossos bairros e as vias de acesso ficam alagados. Esta situação desgasta o munícipe que toda a vez que chove perde noites a evacuar as águas no interior da sua residência”, destacou.

Mais 18 autocarros: um alívio para alguns  

Para minimizar o problema de transporte, um dos grandes dilemas da cidade, Calisto Cossa, edil daquela cidade anunciou a entrada em circulação de mais de uma dezena de autocarros.

“Neste momento temos 42 novos autocarros que estão a ser operados pelo sector privado. Hoje fizemos o lançamento de 18 no posto administrativo de Infulene – que é a zona norte da cidade –, isto é, Khongolote e 1º de Maio. Esses autocarros irão operar nas rotas Khongolote-Baixa e Khongolote-Museu. Outros farão a ligação 1º de Maio-Baixa e 1º de Maio-Museu. Temos também no posto administrativo da Machava autocarros que fazem a rota Matola Gare-Baixa e Matola Gare-Museu e por fim Nkobe-Baixa e Nkobe-Museu”, disse o edil que acrescentou haver vantagens. “Certamente que esses autocarros ajudam, e de que maneira, a aliviar o sofrimento dos nossos munícipes, pois passam por diversos pontos/bairros. Estamos a trabalhar com o sector privado para melhorar o nosso sistema de transporte e acima de tudo, fazer com que o nosso munícipe seja transportado de uma forma confortável”, disse.

Lixo? Mais 65 contentores para a urbe

E porque a gestão do lixo é um dos desafios, a edilidade apresentou 65 novos contentores. Destes, 30 foram adquiridos pelo município e os restantes pelo Fundo de Desenvolvimento Sustentável.

“O Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável junta-se aos esforços do município fazendo esta doação de 35 contentores, dos quais dez são metálicos com capacidade de seis metros cúbicos para serem alocados nos grandes mercados, dez contentores plásticos de quatro rodas com a capacidade de 600 litros para serem alocados na via pública, 15 contentores plásticos de duas rodas com capacidade de 210 litros para serem alocadas a escolas, unidades sanitárias e instituições com objectivo de minimizar a deposição de lixos em lugares não adequados”, disse Leia Bila, administradora do Fundo de Desenvolvimento Sustentável.

Durante a cerimónia, Calisto Cossa reiterou a importância dos munícipes pagarem os impostos para a execução dos projectos que estão em manga. As celebrações serviram, igualmente, para anunciar cirurgias gratuitas a pessoas com catarata, uma iniciativa da fundação Rizwan.

Empresas criam enchentes na BIC: município promete sancionar

São moradores do bairro da Matola “A”, quarteirão 2 que estão revoltados com o Município e as empresas instaladas próximo da zona residencial da BIC. A população acusa as empresas de bloquearem a passagem da água quando chove o que causa alagamento nas residências.

O grito de socorro que perdura a mais de dez anos vem dos residentes deste bairro que se vê obrigados a conviver com a água turva nos seus quintais sempre que chove. Cândido Marrengula é residente daquela zona a mais de cinco anos e conta que desde que se instalou no bairro o cenário tem sido desolador. “Quando chove a água fica estagnada nas nossas casas, isto porque o município demonstra dificuldades em limpar as valas de drenagem”, avançou Marrengula. Quem também passa pelo mesmo dilema é a dona Isaura Muzimbane, que diariamente enfrenta um enorme desafio para poder entrar na sua casa.

Aliás, as alternativas são quase escassas. “A minha casa está submersa, e decorrente disto a minha mobília vai se estragando paulatinamente, infelizmente não tenho o que fazer”, desabafou Isaura. Associada a esta situação está o escoamento de águas residuais por parte das empresas instaladas ao redor destas residências.

Carla Mabunda é disto exemplo, a água turva instalada na sua residência vem do escoamento de lixo residual de uma empresa localizada nas proximidades. “Não tenho o que fazer, já chamei atenção aos proprietários e estes prometeram resolver a situação, mas até então nada aconteceu”, revelou Mabunda.

Devido ao problema parte dos residentes foram obrigados a abandonar as suas casas, outros perderam suas culturas. Apesar de já terem reportado a situação aos proprietários das empresas responsáveis pela estagnação da água e a edilidade local à solução tarda em chegar.

Em reacção ao assunto, o Município, representado pelo seu presidente, Calisto Cossa garantiu nesta segunda-feira que vai enviar com urgência uma equipa para auferir a situação. “Nós temos uma equipa que tem a obrigação de fazer o seu trabalho e a mesma vai se deslocar ao local para de imediato resolver o problema”, avançou Calisto Cossa.

A verdade é que enquanto não se fizer nada para resolver o problema à população continuará a viver com esta realidade, que coloca em risco a sua saúde.

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