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 “Matamos Nhongo mas, novos Nhongos vão surgir… se injustiças continuarem”

Foto: O País

O académico Severino Ngoenha defende que a morte de Mariano Nhongo não deve ser vista como uma vitória ou motivos para celebrar, pelo contrário é momento de tirar lições, pois conflitos como estes podem continuar caso não haja justiça e diálogo sinceros, que eram a reivindicação de Nhongo.

Ngoenha reagia em torno da morte de Mariano Nhongo, quem, segundo o académico, reivindicava as injustiças que os guerrilheiros da Renamo, que lutaram pela democracia, sofriam.

“É verdade que eles foram parte da construção dessa democracia, mas não tiraram benefício, há parlamentares, até da Renamo, que têm salários e boas condições de vida, mas não foram à guerra enquanto os combatentes não têm. Era isso que ele reivindicava”.

Outro factor trazido pela fonte é o da injustiça em Moçambique” que se agudizou, por não ter havido uma integração “real” que foi prometida aos guerrilheiros da Renamo e, por isso, defende que “isso tem de ser corrigido, para que não volte a nascer” e acrescentou que os níveis de injustiça tendem aumentar, fazendo com que a forma que os “injustiçados” têm para fazer a sua voz ser ouvida e clamar pela justiça são as armas.

“Isso fez com que Mariano Nhongo existisse e muitos deles possam existir, então mais do que pensar se a morte dele vai proporcionar um DDR temos que nos interrogar sobre as razões que fazem com que sempre caiamos em guerras, porque, se não o fizermos e continuarem as injustiças, matámos Mariano Nhongo, mas, novos Nhongos vão surgir de todos os lugares, de todas as maneiras e vão meter o país a rebentar”, sublinhou.

O interlocutor defende que é preciso tirar lições e perceber que a morte não deve ser ocasião de diálogo, é preciso precedermos à busca da justiça, do diálogo e do consenso para evitar que o país volte a situações de conflito e instabilidade.

 

“NÃO PODEMOS AFIRMAR QUE A MORTE DE MARIANO NHONGO É O FIM DA VIOLÊNCIA”

Por seu turno, o especialista em resolução de conflitos, Reverendo Anastácio Chembeze diz que é difícil prever o futuro da paz e segurança do país, enquanto não existir cedência e dialogo.

“Quando olhamos para análise de conflito, começamos a ver o problema da falta de comunicação, desentendimentos e o escalar disso, resvalasse em violência e não podemos afirmar que a morte de Mariano Nhongo é o fim da violência”, disse.

O especialista acrescentou que esta é oportunidade para os moçambicanos se reencontrarem e dialogarem, e, segundo defende, uma das formas de dialogar é negociar, conversar, desenvolver a capacidade de ouvir e escutar e compreender a outra parte e ceder.

“É muito triste e lamentável a morte de Mariano Nhongo, nas condições em que isso aconteceu. Lamento bastante que isto tenha acontecido, mas o apelo que quero deixar é que nós temos que ser uma sociedade que vive na base da concórdia e do diálogo”, apelou o reverendo.

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