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Marrocos cria zona militar na fronteira com a Argélia em meio a tensão

Foto: Notícias ao Minuto

Marrocos criou uma nova zona militar ao longo da sua fronteira com a Argélia, num momento de tensão entre os dois países do Magrebe.

O território marroquino, até então dividido em duas regiões militares, norte e sul, passa a estar dividido em três sectores, com a criação da nova “zona oriental” ao longo da fronteira com a Argélia, divulgou o Notícias ao Minuto, citando a agência EFE.

O comando desta zona fica a cargo do major-general Mohammed Miqdad, investido no dia 05 de Janeiro último.

A publicação consultada pela EFE refere que “A criação desta entidade visa assegurar a consistência do comando, controlo e apoio das componentes terrestres, aéreas e marítimas das FAR, e dar-lhes “mais flexibilidade e liberdade de ação necessárias ao cumprimento das diversas missões”.

A criação da nova zona militar surge num momento de tensão entre Rabat e Argel, em concreto sobre o Sahara Ocidental e a recente reaproximação entre Marrocos e Israel. Em Agosto, após meses de atritos, Argel cortou relações diplomáticas com Marrocos, acusando o país vizinho de “acções hostis”.

A questão do Saara Ocidental, uma ex-colónia espanhola considerada território não autónomo pela ONU, opôs Marrocos aos separatistas da Frente Polisário, apoiada pela Argélia, durante décadas.

Rabat, que controla mais de dois terços do território, propõe um plano de autonomia sob a sua soberania, enquanto a Frente Polisário pede um referendo de autodeterminação sob a égide da ONU, que foi planeado após um cessar-fogo assinado em 1991, mas que nunca se concretizou.

A Frente Polisário alegou ter matado 12 militares marroquinos durante este mês, aquando dos ataques no território sob disputa. As autoridades marroquinas geralmente abstêm-se de reagir a estas alegações.

Em meados de Novembro de 2020, o cessar-fogo de 29 anos foi abalado após o destacamento de tropas marroquinas no extremo sul do território para desalojar combatentes pró-independência que estavam a bloquear a única estrada para a Mauritânia, algo que alegam ser ilegal porque não existia quando os acordos de 1991 foram assinados.

Desde então, a Polisário diz estar “num estado de guerra de autodefesa” e publica um relatório diário sobre as suas operações.

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