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Mariano Nhongo está isolado, diz um dos seus antigos homens de confiança

Chama-se João Machava, nome de guerra atribuído pelo falecido líder da Renamo, Afonso Dhlakama, e tem a patente de tenente-coronel. Foi logístico da base da “perdiz” em Mabote, província de Inhambane, até filiar-se à Junta Militar da Renamo, sob comando de Mariano Nhongo, ora isolado por falta de homens e apoio.

Leonardo Munguambe, ou simplesmente João Machava, foi um dos homens de confiança de Mariano Nhongo e diz que entrou para o movimento porque achava que a causa para os ataques armados em Manica e Sofala era justa. Por isso, segundo as suas palavras, juntou-se a Nhongo para defender os interesses do partido Renamo, mas ao meio do caminho desentendeu-se com o seu antigo líder.

“O programa, no geral”, era para resolver “os problemas dentro do partido” e “não andar a matar pessoas. Mas ter um dirigente como Mariano Nhongo, que não quer ouvir o que as pessoas falam, as coisas não correm bem”, disse João Machava, acrescentando que não tinha conhecimento de muitos dos problemas de que Nhongo falava.

O entrevistado alegou que se afastou do líder da Junta Militar da Renamo porque não concorda com os meios a que recorre para atingir os seus objectivos. Disse ainda que o projecto que lhe foi proposto já não tem pernas para andar, uma vez que muita gente que se juntou a Mariano Nhongo também desistiu, por causa do assassinato indiscriminado de civis.

João Machava narrou que a única base forte que apoiava Mariano Nhongo era a de Mabote, com mais de 170 homens, mas todos já se juntaram ao processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) por não acreditarem mais em Mariano Nhongo.

João Machava acredita que Mariano Nhongo está isolado porque mesmo quem ainda está impedido de sair da Junta Militar já não tem motivações para lutar pela causa que lhe foi incutida.

Questionado sobre quem realmente apoia Mariano Nhongo, o entrevistado do “O País” afirmou que, actualmente, o homem mais procurado pelas Forças de Defesa e Segurança, em Manica e Sofala, encontra-se abandonado e vive de favores ou boa vontade de pessoas que lhe dão de comer.

Machava garantiu que não tem contacto com Mariano Nhongo desde o início do ano passado e deixou um recado para o seu antigo líder: “eu se fosse Mariano Nhongo, não precisaria ser perseguido”, mas sim, juntar-se ao processo do DDR “e resolver os problemas dentro do partido. Depois disso, não será perseguido”.

Na passada quinta-feira Machava regressou à sua casa para se juntar aos seus filhos e à mãe. A recepção foi marcada por amor e carinho para quem viveu anos nas matas na companhia de uma arma.

Machava estava longe da sua família desde 2014, altura em que começaram os ataques armados atribuídos à Renamo em alguns pontos da província de Inhambane. Agora aceitou ser desarmado, desmobilizado e reintegrado na sua comunidade porque, segundo explicou, entendeu que, afinal, os motivos que o levaram a filiar-se à Junta Militar da Renamo não eram os mesmos defendidos por Afonso Dhlakama. No partido foi bem recebido.

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