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Maqueleva inaugura exposição na Fundação Fernando Leite Couto

Esta sexta-feira é dia de inauguração da exposição Memento viveri, na Fundação Fernando Leite Couto (FFLC), na cidade de Maputo. Com a colecção constituída por 14 máscaras bordadas, Maqueleva conjura uma lembrança para as gerações futuras.

Segundo a nota de imprensa da FFLC, “concebida numa altura em que as taxas de infecção da COVID-19 ainda não atingiram o seu pico em Moçambique, esta colecção regista não só a ansiedade da vivência presente como também a obstinada esperança que é necessária para que a vida continue. Desde as faces emaciadas e uma boca aterrorizada em meio-grito, aos amantes (ou amigos, ou parentes) que se distanciam fisicamente ainda que unidos pelo seu amor mútuo, nestes traços captura-se o presente em que vivemos”.

Para FFLC, outro tema facilmente discernível é o colectivo, a noção de que estamos todos juntos neste barco, independentemente das nossas diferenças individuais claramente desenhadas numa das máscaras: o vírus não vê caras, nem corações.

A nota avança que o colectivo é ainda retratado como uma massa homogénea de rostos indistintos, uma vez acompanhada pelo slogan Fight the Power, que incentiva a resistência contra a propagação do vírus. Há também o Don´t be Good, Be Great, que é simultaneamente um apelo e um imperativo. Um apelo a que, como um dever para com o colectivo, cada um de nós esteja à altura da ocasião e faça além do necessário para ultrapassar este tempo difícil. E um imperativo para que, como um dever para connosco próprios, cada um de nós aproveite este acontecimento único e potencialmente letal, para reflectir sobre o que estamos realmente aqui para fazer nesta vida, e fazê-lo bem.

Na colecção, as máscaras de linho origamasks são da designer local Iria Marina (usando um padrão “open-source”) e proporcionam o fundo ideal para o traço único de Maqueleva, com a sua linha contínua. Os masters em papel foram reproduzidos como bordados em tecido, que deverão durar tanto tempo quanto as máscaras em si, conforme observa a nota da FFLC. “Desta forma, as máscaras tornam-se arte e artefacto: algo a ser exibido, algo a ser usado, e algo que ao ser usado é exibido. A sua utilidade como artigo de protecção permanece, ao mesmo tempo que transforma cada usuário numa micro galeria de arte, levando esses registos quotidianos de desespero e de esperança para o futuro, até que eles deixem de ser necessários e tornem-se, simplesmente, memória corporizada deste tempo em que tivemos que nos lembrar de continuar a viver”.

A exposição tem curadoria de M. Gabriela Carrilho Aragão.

O autor

Celso Yok Chan, “Maqueleva”, é um artista moçambicano que trabalha principalmente com aguarela e caneta de ponta fina. O seu trabalho envolve o esboçar de forma livre sem remover a caneta do papel para assegurar a continuidade do design e da inspiração. A sua arte reflecte temas da actualidade, desigualdade e mudança social. Ele traça várias peças de uma só vez, e pinta-as somente depois. Grande parte da sua inspiração vem de estímulos visuais, incluindo pessoas e lugares em Maputo, Nova Iorque e Londres.

 

 

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