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Mandjolo, essa alma viajante que Costa Neto deu forma e volume

Por: Rudêncio Morais

 

Mandjolo, é pertença intemporal de Costa Neto e de Moçambique. A musicalidade que preenche Mandjolo e a forma como Costa Neto dá voz e vida a este fabuloso registo musical,  remete-nos a infinitos viajares, viagens nossas buscando, no tempo e nos lugares, as marcas que nos vestem do que é  tradicionalmente nosso, a marrabenta.

E o respectivo vídeo convida-nos a esse regresso para dentro de Moçambique, percorrer as suas entranhas e inalar no mover da nossa gente, o pó dos passos de dança tipicamente nossos e que nos embalam para outros seres, que também nos pertencem quando a alma se esvai para o além.

A primeira vez que escutei a música “Mandjolo” foi em uma dessas festas na diáspora, em que, ávidos pelos sabores da terra, celebrávamos o Dia de África, e senti, logo à primeira, essa captura para a palma da alma de Moçambique, uma força gravitacional com centro de massa em “Mandjolo”. Sim, há vários Mandjolos dentro de cada “Eu moçambicano”.

A música tem, por vezes, essa mania de se fazer veículo e de nos transportar para lugares que tão pouco conhecemos, e “Mandjolo” carrega esse feitiço hipnótico que se mescla entre a marrabenta e o xigubo, sendo, como diz o próprio Costa Neto, “um poema de versos que se escreve em terra firme, e que se estende da Baía do Espírito Santo à recôndita Ponta de Ouro”.

É esse toque mágico que parece agarrar o tempo por entre as mãos africanas, das quais se vai avolumando o “Ser” à medida que a música vai se compondo, sendo-nos o eterno regresso às origens e a esses Mandjolos distribuídos por Moçambique e que se desmancham na música de Costa Neto, como as enormes sombras que crescem sem fim, quando o sol se deita na esperança de, na manhã seguinte, rasgar o Índico e existir novamente.

Mandjolo é essa alma viajante que Costa Neto deu forma e volume, esculpiu-a no ser da nossa gente, e de quando em vez a abraça, sendo na sua própria voz e língua, o caminho de regresso à casa e aos lugares que nos moldam a essência “moçambicanamaniente” nossa.

 

 

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