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Mambas com contas cada vez mais difíceis depois de perder com Ruanda

O combinado nacional, Mambas, sofreu uma inesperada derrota diante do Ruanda, em Kigali, por uma bola sem resposta, e quase hipoteca as contas de qualificação ao CAN, ficando dependente dos resultados dos terceiros, a começar pelo jogo da sexta-feira entre Cabo Verde e Camarões, para depois pensar na última jornada. A derrota coloca os Mambas provisoriamente na terceira posição, já que o Ruanda passa a somar cinco pontos, contra quatro de Moçambique e Cabo Verde, que tem menos um jogo.

As contas começam a ficar difíceis para Moçambique que se viu derrotado em Kigali, por uma bola sem resposta, num golo que surgiu de uma perda de bola de Telinho, que permitiu um ataque rápido, com a defesa a acompanhar a acção dos ruandeses, sem reacção e a permitir o remate de Byiringiro, à entrada da área.
Um resultado que só não deita pôr água abaixo o sonho do CAN, porque ainda há uma réstia de esperança na próxima terça-feira. Os Mambas têm que esperar que Cabo Verde não vença Camarões na sexta-feira, que, na última jornada, os ruandeses não vençam os “leões indomáveis” e que os Mambas alcancem a vitória frente aos “tubarões azuis”, no Estádio Nacional do Zimpeto.

Equipa “improvisada” de Luís Gonçalves
Luís Gonçalves teve que fazer improvisos no onze inicial dos Mambas, com a integração de cinco jogadores do Moçambola, nomeadamente Frenque, na baliza, Sidique e Jeitoso, na defesa, Kito e Telinho, na intermediária.
Dos jogadores que actuam fora, o destaque vai para a entrada de caras de Bruno Langa, na esquerda da defesa, Faisal Bangal, no ataque, a fazer a dupla com Clésio Baúque, a serem reforçados pelo génio de Luís Miquissone. Kambala e Chico Muchanga foram os outros previsíveis que entraram de início nesta partida.
Mas, a grande surpresa foi a braçadeira entregue a Kito, em função da ausência de Dominguês na equipa inicial, esse que, tal como os restantes, estava no banco de suplentes.
Tratou-se de uma equipa equilibrada, num 4x4x2 que se transformava num 4x5x1 quando a equipa defendia, onde Clésio era o mais adiantado, mas também a transformar-se num 4x2x4 quando atacava, com Luís Miquissone e Telinho a serem os adiantados pelas laterais e, por vezes, a flectirem para o centro e a tentar os remates, pelo menos na primeira parte, já que os dois remates feitos foram daqueles dois jogadores.

PRIMEIRA PARTE SOFRIDA, MAS SEGURADA

A primeira parte até começou bem para os Mambas, com Luís Miquissone a abrir o livro aos três minutos, depois de ganhar espaço na lateral, deixar para trás um adversário e cruzar para Faisal Bangal, que, incomodado, rematou ao lado. Ainda reclamou uma grande penalidade, mas o árbitro nada disse.
Porém, depois disso, os ruandeses cresceram e começaram a chegar a baliza de Frenque com alguma frequência e, aos 17 minutos, Ange apareceu no meio da rua a desferir um remate com selo de golo, a valer a atenção de Frenque que defendeu para canto.
Aos 24 minutos, mais um susto para a defesa moçambicana, num cruzamento da direita, com Ernest a chegar ligeiramente atrasado ao desvio, no segundo poste, quando estava solto de marcação, numa altura em que Frenque já tinha deixado a bola passar.
Luís Miquissone tentava remar contra a maré e procurava surpreender, mas estava sozinho e nem Faisal Bangal conseguia acompanhar o jogador de Angoche.
Aos 35 minutos, mais uma situação para o Ruanda, com a intervenção de Jeitoso por duas vezes a evitar que a bola chegue com perigo e, no final, um remate a meio da rua para as mãos de Frenque.
A terminar a primeira parte, foi Telinho, num remate fraco, a testar a atenção de Emery.
Terminavam, assim, os primeiros 45 minutos com os Mambas em sofrimento, a procurar remar contra a maré.

SEGUNDA PARTE DIVIDIDA

A abrir a segunda parte, o Ruanda podia ter chegado ao golo quando Chico teve uma brincadeira na defensiva a permitir que Ernest tivesse espaço para o remate, mas a passar por cima.
A defensiva moçambicana parecia adormecida, porque deixava sempre os avançados ruandeses em boas posições de remate e Haruna, numa dessas vezes, apareceu à entrada da área para um remate que só não criou perigo por ter passado ao lado.
Bruno Langa e Jeitoso pareciam não acertar nas marcações e isso permitia a colocação perigosa dos ruandeses. Byiringiro, que entrara na segunda parte, apareceu nas costas de Bruno Langa a cabecear, valendo a fraca pontaria do ruandês.
Luís Gonçalves não demorou e, numa sentada, fez duas substituições, com as saídas de Kito, que passou a braçadeira a Clésio, e Telinho, e com entradas de Nené e Gildo para tentarem estancar o pendor ofensivo dos ruandeses.
Mas, Luís Miquissone estava inconformado com a actuação dos Mambas e, num momento de inspiração, ganhou a bola e foi até à zona do cruzamento levantar a bola para o coração da área, a valer a saída de Emery, que não deixou a bola chegar a Clésio, que já estava nas alturas para o cabeceamento.

O GOLO DO RUANDA

O combinado nacional não conseguia encontrar-se em todos os sectores e os ruandeses não temiam o veneno dos Mambas. Numa perda de bola na zona do meio campo, o Ruanda saiu em contra-ataque rápido, perante uma infantilidade da defensiva, que permitiu a Emmanuel servir Byiringiro, que, do meio da rua, rematou, colocado sem hipóteses de defesa para Frenque, que, pregado, só viu a bola beijar as suas redes.

DOMINGUES ENTRA E MAMBAS BEM MELHORES

Foi já depois do golo do adversário que Luís Gonçalves fez entrar Domingues para o lugar de Clésio, que, também, trocaram a braçadeira, numa tentativa de fazer desequilíbrios e concentrar os jogadores do Ruanda no capitão dos Mambas, para permitir que Luís Miquissone e Faisal Bangal se libertassem e criassem oportunidades.
Domingues que, aos 84 minutos, teve uma soberba oportunidade de empatar o jogo quando apareceu no meio de dois centrais e em boa posição; rematou para defesa de Emery. Foi a primeira melhor oportunidade de marcar, porque a segunda veio dos pés de Dayo, dois minutos depois, a aparecer do lado direito da entrada da área a disferir um remate para defesa de Emery e Domingues a chegar atrasado para a emenda.
Dois momentos cruciais para os Mambas chegarem ao empate para o desespero dos jogadores e do banco técnico.
Emery acabou sendo o herói do Ruanda ao voltar a evidenciar-se num remate cruzado de Gildo, com selo de golo, para canto.
Mau grado que as segundas bolas não eram ganhas tal como se desejava.
Os Mambas estavam a fazer pressão, mas sem conseguir o seu objectivo de marcar, e o resultado acaba por ser penoso e a deixar os moçambicanos com a calculadora na mão.
Agora, resta esperar pelas contas, a começar pelo jogo da sexta-feira, no qual se espera que Cabo Verde não vença Camarões e, na última jornada, que os leões indomáveis vençam as vespas e nós, Mambas, teremos que vencer Cabo Verde, para, então, chegar a Yaoundé, em Janeiro de 2022.

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