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Maleiane pede redução das taxas de juro aos bancos

O ministro da Economia e Finanças pede redução das taxas de juro por parte do sector financeiro nacional, por dificultarem o desenvolvimento da actividade empresarial. Adriano Maleiane entende haver falta de clareza na definição do preço do dinheiro e pede que as instituições de crédito divulguem as regras que utilizam nas diferentes categorias de crédito que concedem.

As taxas de juro praticadas pelas instituições de crédito em Moçambique rondam os 30%, nível considerado alto para os mutuários do crédito. No lançamento da pesquisa sobre o sector bancário, o ministro das Economia e Finanças, Adriano Maleiane, manifestou preocupação em relação a esta realidade.

“Parece que temos de trabalhar muito para a transparência e na fixação das taxas de juro. Aparentemente, quem olha para as nossas taxas de juro pode entender que não há qualquer ligação entre custos de fanding, inflação e o risco. Parece que as coisas estão de certa maneira dissociadas. Então, eu quero desafiar o sistema financeiro para me trazer um indexante a prazo. Eu gostaria de ter um indexante para (prazo de) 90 dias, 91 dias, 180 dias, 360 dias. Eu espero que o sector esclareça”, avançou o governante.

Maleiane insistiu que, com a forma como elas são definidas, “cá fora, fica-se com a impressão de que as taxas de juro são administradas. Quer dizer, vocês (bancos) estão a afixar as taxas de juro e o argumento que apresentam é de que isto é responsabilidade do Banco Central e este diz que não. Há um acordo formado em que vocês é que fixaram o custo do prémio de risco, e este prémio está lá e não se sabe como se movimenta. Então é importante que nós, os consumidores possamos saber”.

Governo não pretende expandir endividamento interno
Maleiane também esclareceu que o Governo tem estado a evitar a contratação de crédito junto das instituições financeiras, para não prejudicar o acesso ao financiamento pelo sector privado. É que, dados apresentados nos últimos tempos, indicam que, com a suspensão da ajuda externa ao Orçamento do Estado, uma das saídas do Executivo é a contratação de crédito junto à banca, reduzindo os recursos disponíveis para financiar o sector privado. Maleiane rebate: “Muitas vezes a comunicação do Ministério da Economia e Finanças não tem sido suficiente e depois há todo este alarmismo que acontece. Se olharem para a estatística hão-de verificar que a dívida doméstica cresceu de 2015 a 2016, mas porque temos dívida não titulada aos nossos contribuintes e ao titular a dívida, estamos a falar na ordem de 8 mil milhões de meticais, então a nossa dívida aparentemente subiu”. Outras situações que levam a uma interpretação de que a dívida interna subiu tem que ver com a estruturação da dívida externa para torna-la sustentável.  A resolução desta situação no Banco de Moçambique vai levar a que o saldo atinja os cerca de 30 mil milhões de meticais.     

Banca ressentiu-se da crise em 2016
O desempenho do sector financeiro nacional ressentiu-se da crise que económica que o país atravessou no ano passado. Dados hoje divulgados indicam que o crédito à economia reduziu 25%, o crédito mal-parado aumentou 66%, os depósitos desaceleraram.

Os resultados dos bancos, em 2016, foram afectados, principalmente, pela redução do ritmo de crescimento económico de 6.6% em 2015 para 3.8% e pelas elevadas taxas de juro do sistema financeiro, de acordo com o Estudo conjunto da consultora KPMG e da Associação Moçambicana de Bancos.

No ranking que avalia os bancos em termos de activos, empréstimos e adiantamentos, e depósitos, quatro bancos ocupam lugares cimeiros, nomeadamente o Banco Comercial e de Investimentos, BCI, que aparece em primeiro lugar, seguido do Banco Internacional de Moçambique, Millennium bim, em segunda posição e o Standard Bank e Barclays Moçambique ocupam a terceira e quarta posição, respectivamente.

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