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Mal foram suspensas aulas presenciais, alunos na capital já sentem as mazelas

Muitos alunos, na capital do país, queixam-se de estar a enfrentar dificuldades para estudar à distância. Por sua vez, os encarregados de educação dizem ser difícil manter os alunos dentro de casa.

Na cidade de Maputo, as ruas são, para muitas crianças e jovens, um refúgio para aliviar o confinamento, embora sejam espaços de muito risco de contaminação da pandemia da COVID-19.

Com a eclosão da terceira vaga do novo Coronavírus, cada dia mais agressiva, quase tudo ficou parado, incluindo os sonhos de algumas crianças que ficaram adiados.

Franquilino Timóteo é exemplo disso. Tem apenas nove anos e quer ser agente da polícia quando crescer. Franquilino sabe que a escola é o caminho pelo qual vai realizar o seu sonho.

Agora em que as escolas foram encerradas, o menino vai nutrindo os seus sonhos na base da leitura, na qual também procura encontrar a resposta do porquê as coisas tinham de ser do jeito em que estão.

A casa do Franquilino fica no bairro de Chamanculo “B”. Encontrámo-lo com um livro de português ao colo. Devagar e devagarinho, o petiz lia o texto cujo título é “Escola”: Para “Franque”, melhor título igual não existe.

“Quero ser agente da polícia. As escolas estão fechadas, mas nada posso fazer, todas as crianças estão em casa, pois a situação da pandemia é uma ameaça para todos”, disse Franquilino, ciente da gravidade da pandemia.

O dia-a-dia de Franquilino não tem sido fácil, mas a sua irmã, com quem mais tempo passa, é o seu porto seguro. Maria Júlio contou-nos o esforço que faz para o menino não perder o foco.

“Não é fácil lidar com a criança. Ele, quando vê os seus amigos a brincarem, também corre para se juntar, mas sempre arranjo uma forma de o manter dentro e evitar que se exponha ao risco de contágio pela CoVID-19”.

Além do papel de irmã, Maria é também estudante e tem que se adaptar às aulas à distância, à semelhança do Faisal. Engana-se quem diz que é fácil, mas desistir jamais.

“Não tem sido fácil ter aulas à distância, mas de uma coisa tenho certeza – jamais vou desistir”, sentenciou-se-lhe Maria Júlio.

O dia-a-dia de Faisal Cumaio mudou profundamente. A sua rotina está dividida entre as quatro paredes do seu quarto e aulas “online”. Residente no bairro da Malhangalene “B”, Faisal tem o basquetebol o seu desporto preferido, mas sabe que deve evitar contacto físico.

“Depois das aulas, ou fico a conversar com os meus amigos, ou dou os toques de bola aqui mesmo dentro do quintal. Não posso sair, devo aguentar enquanto a situação durar”, disse Faisal.

Vânia Dimande é mãe de Denis Tonela. Tanto para o seu filho como para si, os dias ficaram difíceis. A encarregada de educação fala, também, de vezes em que não consegue dinheiro para adquirir as fichas de leitura.

“Faço acompanhamento das aulas da criança. Para facilitar a interacção com os encarregados de educação, a professora do menino criou um grupo na rede social. Até aí tudo bem, o problema é quando nos falta dinheiro para adquirir as fichas”, disse.

Com as escolas fechadas, crianças e jovens são mais vulneráveis às tentações e, entre o stress e as incertezas, sabem que é preciso muita cautela.

Incertezas e medo à parte, crianças e jovens nutrem esperanças de dias melhores, que o diga Franquilino Timóteo, que, através da nossa reportagem, deixou uma mensagem às outras crianças: eu estudo muito para alcançar os meus sonhos, também quero que estudem igual a mim, um dia tudo passa e as portas da escolas voltarão a abrir”.

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