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Mais de 62 mil doentes HIV/SIDA abandonaram tratamento na província de Maputo  

Pelo menos 17.152 pessoas contraíram HIV/SIDA, de Janeiro a Novembro deste ano, na província de Maputo. O problema agrava-se com o facto de 62.632 pacientes terem abandonado o tratamento anti-retroviral, em parte devido às restrições impostas pela pandemia da COVID-19.

A informação foi tornada pública pela secretária do Estado na província de Maputo, Vitória Diogo, na cerimónia alusiva ao 1º de Dezembro, Dia Mundial da Luta Contra SIDA.

Na província de Maputo, o evento para assinalar a efeméride teve lugar no Hospital Geral da Machava, sob orientação da secretária do Estado.

No local, a jovem Isália Munguambe, de 35 anos de idade, abriu o seu peito, contou publicamente como descobriu que estava infectada, as perturbações que a doença lhe causou na vida e, sobretudo, o abandono pelo homem que julgava ser seu companheiro para a vida inteira.

Isália Munguambe ficou a saber que estava infectada durante uma consulta pré-natal do seu terceiro filho. Segundo as suas palavras, o resultado foi “desastroso” e ficou sem chão, mas continuou a lutar para viver positivamente com o vírus graças ao apoio dos seus filhos adolescentes. O marido abandonou-a.

“Descobri que sou HIV positiva no dia 06 de Outubro de 2017. Passei de uma mulher casada, mãe de dois filhos e outro na barriga para uma mãe separada. Quando ele [o marido] voltou do serviço eu informei” que estava infectada pelo HIV/SIDA, narrou a jovem, para quem a resposta do consorte foi de que “esse assunto era meu”.

Daí em diante, a vida de Isália não foi a mesma. “Não tive nenhum apoio dele [do marido], em nenhum momento esteve presente e comunicou à família que se ele morresse eu seria a culpada porque lhe contaminei com a SIDA”.

Hoje, a jovem é uma activista e ocupa o seu tempo cuidando dos seus filhos e a palestrar sobre o HIV/SIDA.

Além da chamada doença do século, Moçambique e o mundo debatem-se com a pandemia da COVID-19. Apesar da recomendação para observar o máximo possível de distanciamento físico, esta terça-feira, quando o músico Mr. Bow foi chamado para cantar no âmbito do 1º de Dezembro, os profissionais de saúde ignoraram as regras que têm estado a disseminar na sociedade.

Por cauda da agitação e aglomeração, a Polícia teve de intervir para evitar dissabores. A situação levou a secretária do Estado na província de Maputo a manifestar a sua inquietação com o que presenciou. Alertou para a necessidade de saber ser e estar.

De acordo com Vitória Diogo, “a postura conta. A atitude conta. Imaginem, as câmaras de televisão vão dizer olhem aqueles são os profissionais de saúde da província de Maputo” mas “o comportamento que têm” deixa a desejar.

Ânimos controlados. Por sua vez, o governador da província de Maputo, Júlio Paruque, anunciou a construção de mais unidades sanitárias para melhorar a resposta contra o HIV/SIDA.

“Ao longo do presente quinquénio iremos construir pelo menos cinco unidades sanitárias, para reforçar a luta contra o HIV/SIDA”, e facilitar o acesso ao tratamento.

Ainda esta terça-feira, foi inaugurado o laboratório de biologia molecular para diagnóstico do HIV em recém-nascidos. A infra-estrutura custou perto de 25 milhões de meticais desembolsados pelo Governo e parceiros.

Este ano, o Dia Mundial da Luta Contra SIDA celebra-se sob o lema “Solidariedade global, responsabilidade partilhada”

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