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Mais de 400 pessoas vacinadas testaram positivo à COVID-19 em Inhambane

Na província de Inhambane, há pessoas que negaram tomar a vacina por desinformação nas redes sociais e só a contaminação e o internamento as fizeram mudar de ideia. Há, ainda, pessoas vacinadas que testaram positivo, mas não desenvolveram sintomas graves da doença.

Mamudo Ben Agir, de 53 anos de idade, tem a tensão arterial baixa e sofre de diabetes. Ele faz parte do grupo de risco e, por isso, foi chamado para tomar a vacina contra a COVID-19, entretanto recusou-se.

Ele contou ao “O País” que se recusou a tomar a vacina, pois teria visto, nas redes sociais, informações contra a toma da vacina.

Mamudo não aceitou vacinar, mas foi depois de voltar de um casamento quando começou a apresentar sintomas da COVID-19 e, após análises, teve a confirmação de que estava infectado.

O quadro clínico de Mamudo Ben era tão grave, de tal modo que, depois de 24 horas no centro de isolamento provisório do Hospital Rural de Chicuque, ele teve de ser internado nos cuidados intensivos do Hospital Distrital de Jangamo, o principal centro de Internamento para pessoas com a COVID-19, na província de Inhambane.

Esteve lá por 13 dias e, com ele, estavam internadas outras seis pessoas também com um quadro clínico grave.

Mamudo viu os seus cinco companheiros perderem a vida um a um, em dias seguidos, mas quis o destino que ele ficasse vivo para contar a história de um homem cujas circunstâncias o fizeram mudar de opinião em relação à vacina.

Depois da recuperação, Mamudo Ben Agir decidiu, por conta própria, tomar a vacina e, hoje, ele mesmo é quem apela a todas as pessoas a fazê-lo, pois, segundo disse, não quer que mais ninguém passe pela mesma situação. “Por favor, todos devem vacinar, para não correr o mesmo risco que eu corri”, exortou Mamudo.

Quem não quis correr o risco foi Daniel Machamale, outro homem de mais de 50 anos de idade e que sofre de problemas respiratórios.

Ele tomou as duas doses da vacina contra a COVID-19 em Junho e, há cerca de três semanas, foi diagnosticado com a doença, entretanto sem nenhum sintoma.

Conta que esteve numa reunião na cidade de Xai-Xai, no regresso, começou a sentir algum incómodo, decidiu fazer o teste e o resultado, positivo, só chegou sete dias depois.

Durante o período de espera, ele ficou em casa, mas revela que não teve nenhum outro sintoma além do incómodo na respiração que, por sinal, também já tinha tido.

Daniel acredita que, para o seu caso, o pior só não aconteceu por ter tomado as doses completas da vacina.

Segundo o director provincial de Saúde em Inhambane, dos 3600 casos da COVID-19 registados no mês de Julho em Inhambane, mais de 460 foram em pessoas que já tinham tomado todas as doses da vacina contra a doença.

No entanto, nenhuma dessas pessoas perdeu a vida, como também nenhuma desenvolveu a doença ou teve sintomas graves que requeressem tratamento hospitalar.

Inhambane tem, até ao momento, 1659 casos activos da COVID-19, com 37 óbitos, dos quais 15 foram registados só no mês de Julho, ou seja, em 17 meses da COVID-19 em Inhambane, quase metade de todos os óbitos foi registada em Julho, o mês mais sombrio para a província.

Há, ainda, 22 mil pessoas que já tomaram todas as doses da vacina contra COVID-19 em toda província.

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