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Mais de 40 peritos do Tribunal Penal Internacional em investigações na Ucrânia

O Tribunal Penal Internacional (TPI) enviou para a Ucrânia uma equipa de 42 especialistas, a maior missão de sempre em termos de efectivos, para investigar alegações de crimes de guerra cometidos durante a invasão russa.

Desde que a Rússia iniciou aquilo que Putin chama de “operação militar especial” na Ucrânia, a 24 de Fevereiro, muitas infra-estruturas foram destruídas e várias pessoas mortas. Países europeus, incluindo a própria Ucrânia, já denunciaram, inúmeras vezes, alegados crimes de guerra cometidos pelo Moscovo. Para apurar tais denúncias, o Tribunal Penal Internacional enviou, hoje, à Kiev uma equipa composta por 42 peritos.

“Confirmo que hoje o meu escritório enviou uma equipa de 42 investigadores, cientistas forenses e outros funcionários de apoio para a Ucrânia”, disse Karim Khan, num comunicado citado pela DW, acrescentando que é “a mais importante missão, em termos de efectivos, já enviada para o terreno de uma só vez”.

O procurador do TPI, criado em 2002 para julgar os piores crimes cometidos no mundo, abriu uma investigação a 03 de Março sobre alegações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade na Ucrânia, após receber luz verde de quase 40 Estados.

Khan deslocou-se à Ucrânia em Abril, incluindo o subúrbio de Bucha, em Kiev, onde pelo menos 20 corpos foram descobertos a 02 de Abril.

“Graças ao envio de uma equipa de investigadores, poderemos seguir pistas e recolher testemunhos relacionados a ataques militares que podem constituir crimes abrangidos pelo Estatuto de Roma”, que é o tratado fundador do TPI, referiu o procurador.

Khan também agradeceu ao Governo dos Países Baixos pela sua cooperação, com o envio de um “número significativo de especialistas nacionais” em apoio à missão do TPI, que está sediado em Haia, Países Baixos.

“As nossas actividades investigativas e forenses no terreno vão tornar-se mais eficientes através dessa colaboração”, acrescentou.

A guerra na Ucrânia, que amanhã entra no 84.º dia, causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas das suas casas – cerca de oito milhões de deslocados internos e mais de 6,1 milhões para os países vizinhos –, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Também as Nações Unidas disseram que cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

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