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Mais de 200 mil habitantes enfrentam crise de água em Guruè

Foto: O País

A crise de água arrasta-se já há três semanas. A população está a recorrer a fontes alternativas e rios para buscar o precioso líquido para consumo e higienização, numa altura em que a água é indispensável para reforçar a higiene das mãos.

Há muito que a Vila Autárquica de Gurué se debate com problemas de fornecimento no abastecimento de água para as populações. O facto ocorre numa vila privilegiada, quando o acesso a recursos hídricos diz respeito.

Sucede que o único sistema de abastecimento de água é antigo. Foi erguido no tempo colonial, e o Governo não acompanhou o processo de manutenção para que estivesse em condições necessárias. Aos poucos, foi-se degradando, reduzindo a sua capacidade de abastecimento. Chegou a um estágio em que o cenário se deteriorou.

Ernesto Joaquim, director da empresa Águas do Gurué, diz que há uma luz no fundo do túnel que vai consistir na reabilitação do sistema. “Algumas equipas da Administração de Infra-estruturas de Água e Saneamento (AIAS) já estão a chegar de Maputo. O fiscal já esteve no local da avaria do sistema e, posteriormente, pensamos que haverá algum avanço. Eles vão reabilitar totalmente o empreendimento. Vamos, igualmente, ter foco na adutora, onde há problema que está a implicar no fornecimento neste momento”, disse, adiantando que das 2.400 ligações efectuadas, apenas são abastecidos menos de 50% dos consumidores.

Gurué tem 23 bairros, mas grande parte dos residentes socorre-se a poços para obtenção do preciso líquido. Em Maio de 2020, a secretária de Estado da Zambézia, Judite Mussácula, efectuou o lançamento da primeira pedra para a reabilitação do referido sistema, num investimento de mais de 274 milhões de meticais, fundos do Governo moçambicano. Foi um momento de festa para a população, pois estava convencida de que o sofrimento no acesso à água passaria para a história. Aliás, a conclusão, na altura, estava prevista para Maio deste ano, todavia ainda se aguarda pelo arranque das obras.

“De facto, nós tínhamos esperança quando foi lançada a primeira pedra para a reabilitação do sistema. Hoje, estamos a passar mal. Pedimos ao Governo para nos ajudar a solucionar o problema. As pessoas madrugam para encontrar água. Isso nos retira dignidade como humanos”, disse Florência Rosário, uma munícipe que buscava água numa das fontes em Gurué. Na luta pela água, não se obedece ao distanciamento físico e o perigo de contaminação pela COVID-19 é iminente.

O jornal “O País” procurou ouvir o edil local, José Aniceto, mas está ausente. Telefonicamente, fez saber que a solução do problema está para breve. Já a administradora distrital, Elsa Fortes, reconhece o dilema por que passa a população neste momento.

“Acreditamos que os que gerem os sistemas de água no país estão a pensar seriamente na população de Gurué e que a resposta urgentemente virá para confortar as famílias. Como Governo distrital, temos trabalhado com o Conselho Municipal para encontrar as alternativas necessárias. Já solicitamos apoio do FIPAG em Mocuba na canalização de algumas tubagens para correcção. Fizemos, mas, a seguir, um outro ponto rebentou e isso tem estado a acontecer de forma sistemática”, finalizou a governante.

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