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Maheu: a bebida tradicional que tornou dona Mira uma pequena empresária

Na Estrada Nacional número Um, no populoso bairro de Bagamoio, arredores da cidade de Maputo. “Chapeiros” e estudantes buscam refrescar-se com uma bebida tradicional feita à base de farinha de milho e açúcar. O maheu da dona Palmira é referência naquela zona. Aliás, mesmo os passageiros que viajam para África do Sul, têm Bagamoio como paragem quase obrigatória: dona Mira é referência até fora do país.

Para início de conversa, Palmira Chicavele revela: “eu gosto de fazer maheu e gosto de ver a pessoa a tomar maheu”. E o gosto mudou o seu destino. Dona Mira, como é tratada de forma carinhosa, cresceu tomando maheu, num dos bairros da pequena vila de Xinavane, província de Maputo. Agora, na fase adulta, aprendeu os segredos de produção, com os quais iniciou a vida empresarial em 2002.

“No princípio, produzia maheu e vendia em copos, em casa. Muitas pessoas entraram aqui para tomar maheu e foi daí que vi que o movimento era muito grande. Produzia 1,5 quilograma por dia mas, agora, diariamente, faço maheu com quantidades de farinha de milho que variam de 50 a 100 kg”, descreve a sua progressão. Quinze anos depois, emprega sete trabalhadores com quem partilha o segredo da sua caminhada de crescimento: destreza e gosto pela preparação da bebida tradicional.

Encontrámos dona Mira logo às primeiras horas da manhã, junto com a sua equipa, já com as mãos, ou melhor, a colher de pau na massa. O processo de produção começa com a mistura de farinha e água que é colocada a ferver por duas horas, em três panelas. O produto é, a seguir, levado ao arrefecimento e leva 24 horas em fermentação até chegar à fase de engarrafamento. Numa outra sala, é misturado com açúcar, um processo manual que dona Palmira sonha mecanizá-lo.

O maheu que começou a ser vendido em copos, hoje, chega aos clientes em garrafas plásticas de 350 e 750 mililitros, assim como de um e meio e cinco litros. Com este produto, criou a sua própria marca: Gelados Mira.

O maheu da dona Palmira tornou-se a mania do Bagamoio e por várias vezes foi notícia. Entretanto, a própria dona não tem dimensão do sucesso que faz, até mesmo fora do país.

Para o futuro, sonha expandir a sua marca e conquistar cada vez mais amantes de maheu, em Maputo e não só. Enquanto o sonho não é alcançado, sabe que a persistência já lhe rendeu muitas vitórias.

É um negócio feito com amor, determinação e sonho de progressão. 

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