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Mahamba aventura-se com “Pétalas de sangue” na RSA

A companhia de teatro Mahamba encontra-se em Durban, a produzir uma peça teatral que cruza fronteiras de três países: Moçambique, África do Sul e Zimbabwe. A ideia que conta com a colaboração do Centro Cultural Wushini surgiu em 2016, quando Mahamba teve contacto com os artistas de teatro na cidade de Durban, depois de participar no Festival Musho. A colaboração continuou com a participação de Dadivo José, actor e membro do grupo Mahamba, na produção da peça “Terra Sonâmbula”, adaptada do romance de Mia Couto, com o mesmo título.

Assim, este ano, surge o projecto “Pétalas de sangue”, que tem como enfoque as migrações que, ao longo dos séculos, criaram condições para se questionar o papel do teatro por via do corpo e da música, explorando as novas tendências da dramaturgia contemporânea, moçambicana em particular, dando ênfase às migrações espirituais.

No enredo da peça, um migrante moçambicano, possuído por espíritos ndau, refugiado da Guerra dos 16 anos, depois de matar muitos curandeiros ao serviço dos rebeldes, casa-se com uma mulher sul-africana que tem um pai curandeiro. Durante o tempo todo, o pai da mulher vai usar os espíritos ndau do migrante moçambicano (Sibanda) para se tornar grande curandeiro.

Ainda no enredo, Sibanda (Dadivo José) vê-se numa situação de refugiado e a família da esposa, Tobenkile (Philisiwe Twijstra) acolhe-o para encobrir o incesto que tem sofrido do pai de uma forma abusiva, o que a deixa numa situação de trauma.  

A peça explora a luta entre os espíritos nguni e shona, danças e rituais cujos significados transcendem o drama, ligando-se a uma parte da História dos três países.

Esta produção é resultado de uma colaboração transfronteiriça entre Moçambique (Dadivo José e Maria Atália), África do Sul (Philisiwe Twijnstra e Jerry Poe) e Zimbabwe (Brzhenev Gouveya), possível através de financiamento da Agência Suíça para desenvolvimento – Pro Helvetia, na sua iniciativa de apoio a pequenos projectos culturais.

O texto da peça foi escrito por Dadivo José e conta com a encenação de Maria Atália. Faz parte da peça o seguinte actor, além do dramaturgo: Philisiwe Twijnstra (África do Sul). A música é feita por Brezhnev Guvheya (Zimbabwe) e a produção é garantida por Jerry Pooe & Wushini art centre.

 

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