O País – A verdade como notícia

Livros da Trinta Zero Nove disponíveis para leitores do mundo inteiro

A editora moçambicana selou um acordo que vai permitir a distribuição de livros através das plataformas digitais do African Books Collective (ABC). Para Sandra Tamele, da Trinta Zero Nove, a parceria em causa permite fazer chegar os livros aos leitores de forma rápida e eficaz.

 

A 27 de Julho do ano passado, a poetisa (ou poeta) sul-africana, Danai Mupotsa, acompanhada pela sua editora, Vangile Gantsho, estiveram em Maputo para participar no Festival Poetas d’Alma. Naquela data, mal suponham que poderiam ser tão valiosas para a recém-fundada Trinta Zero Nove. Então, na capital do país, a autora de Feeling and ugly negociou com Sandra Tamele os direitos de tradução da sua obra de poesia para a língua portuguesa. Assim, a editora moçambicana ganhou um novo título: Feeling e feio. Mas não foi só isso.

Durante a conversa entre Danai Mupotsa, Vangile Gantsho e Sandra Tamele, as sul-africanas apresentaram, à distância, a Tradutora e Intérprete moçambicana a Justin Cox, que se encontrava na Nova Zelândia. Não tardou. O director do African Books Collective (ABC) manifestou o interesse em colaborar com a Trinta Zero Nove. Assim, ambas as instituições assinaram um contrato, que permite à editora nacional, desde segunda-feira, vender os seus títulos através do website do ABC, além de outras plataformas digitais, desde a Oceânia ao Brasil, passando pelo Reino Unido e Estados Unidos. Por isso, a satisfação tem mesmo de ser enorme: “Foi com imenso prazer que ouvimos de Justin Cox, o Director do colectivo, que somos a primeira editora dos PALOP a aderir ao colectivo e os nossos audiolivros são os primeiros na plataforma”.

O contrato com ABC torna possível à Trinta Zero Nove disponibilizar livros electrónicos e impressos aos leitores de forma rápida e eficaz. “Estamos a conseguir levar as nossas traduções para todo mundo que fala português, fugindo das fronteiras moçambicanas e dos PALOP. O nosso lema, ‘damos voz às estórias’, ganha força com a parceria com ABC”, afirmou Sandra Tamele, lembrando que a sua editora publica traduções de fora e de dentro do país. Por exemplo, em breve, um título de Hélder Faife, traduzido do português para o inglês, será disponibilizado aos leitores através do African Books Collective.

A Trinta Zero Nove existe há dois anos. De lá a esta parte, já traduziu para português cinco autores cujos livros não estavam disponíveis numa outra língua que não fosse inglês ou francês. “Pela primeira vez, Moçambique está a mostrar que uma pequena editora, como a nossa, pode trazer livros traduzidos de outras partes do mundo para os leitores nacionais a um preço reduzido, inferior a 400 meticais, o que é melhor do que importar de Portugal ou do Brasil”.

No que diz respeito à linha editorial, interessa à Trinta Zero Nove traduzir autores cujos livros abordam questões sobre as minorias, que levantam questões relevantes.

O African Books Collective (ABC) é uma instituição sem fins lucrativos, fundado por editores africanos para distribuição de literaturas africanas pelo mundo. A instituição trabalha em POD (print-on-demand) e entrega imediatamente os livros do seu catálogo em formato impresso para qualquer país.

 

Concurso de tradução literária

Desde a semana passada, estão disponíveis inscrições para a sexta edição do Concurso de Tradução Literária, agora com o selo Menção Honrosa da Feira do Livro de Londres. Este ano, a novidade é que os contos a traduzir, para as línguas portuguesa e/ou bantu (cisenaxichangana e emakhuwa) faladas no país, são de autoras africanas dos vizinhos de Moçambique. As obras elegíveis para traduzir nesta sexta edição são: Involution, de Stacy Hardy (África do Sul); Le détonateur, de Mampianina Randria (Madagáscar); Maintenance check, de Alinafe Malonje (Malawi); My mother’s project, de Lydia Kasese (Tanzânia); Door of no return, de Natasha Omokhodion (Zâmbia) e The tale of two sisters, de Tariro Ndoro (Zimbabwe). “Vamos traduzir as nossas vizinhas para as nossas línguas”, gracejou Sandra Tamele.

No concurso podem inscrever-se qualquer pessoa que não tenha nenhuma tradução publicada, sem critérios em termos de idade ou escolaridade. A candidatura é gratuita e pode ser submetida até 22 do próximo mês, através do correio electrónico ([email protected]). Já o prazo para submissão das propostas de tradução é 31 de Agosto. Um mês depois, concretamente no dia da Tradução, 30 de Setembro, os vencedores serão anunciados. Nessa altura, deverá ser publicada a segunda colectânea com os textos traduzidos pelos vencedores da edição 2019, intitulada Redentor do mundo.

De igual modo, os vencedores da sexta edição do concurso de tradução serão publicados em livro e audiolivro pela Trinta Zero Nove  na 3ª colectânea do concurso a 30 de Setembro do próximo ano

Partilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on telegram
Share on whatsapp
Share on email

RELACIONADAS

+ LIDAS

Siga nos