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Livro digital: há um campo de oportunidades no nosso sistema obsoleto

Por: Hermínio Alves

 

Em Moçambique não existe uma extensa publicação digital e o termo “livro digital” ou “e-book” é ainda novo entre a comunidade literária no país.

Autores moçambicanos têm publicado livros seguindo o sistema tradicional, no entanto, com o surgimento da pandemia, há flocos de interesse pela publicação digital.[1]

Com a pandemia do Sars-CoV-2, o mercado digital se tornou em uma área de interesse artístico e económico. As restrições de circulação de pessoas, entre outras pronunciadas pelo Chefe do Estado moçambicano afectaram profundamente o convívio artístico e cultural do país, áreas profundamente afectadas pelas medidas tomadas com vista ao combate do Coronavírus foram as áreas das artes e cultura, com isso, houve uma necessidade de adaptação por parte dos agentes artísticos e culturais.

No entanto, essa adaptação tem constituído um grande desafio pela falta de meios práticos para viabilizar os seus objetivos, e quando falo de meios práticos, me refiro às tecnologias digitais.

O uso de meios digitais para execução de eventos artísticos, exposições de artes, lançamentos literários, entre outros eventos artísticos têm sido uma alternativa económica por simplificar vários aspectos ligados à logística.

Mas, a falta de incentivos no campo digital por parte das instituições governamentais torna essa simplificação um tanto obsoleta.[2]

Esta falta de incentivos estende-se até no próprio acto de consumo de e-books. Com a massificação do ensino digital por todo país e em todos graus de ensino, era suposto que os responsáveis governamentais pela educação dessem passos ambiciosos para a consolidação de um modelo de ensino digital e o início de discussões e implementação, de modelos consistentes, reais de acordo com a realidade económica e social das comunidades nacionais, de um sistema de educação digital. Se essas acções se materializassem, o processo de familiarização, comercialização e autenticidade do livro digital seria mais fluído.

No entanto, uma das principais questões do livro digital gira em volta da sua autenticidade, monetarização e acesso a fontes fiáveis.[3]

Por mais que o livro digital seja a fonte primária informal na busca por conhecimento por parte dos estudantes, constituindo a maior cota de títulos acessados por estudante, o processo de aquisição e uso dessas bibliografias passa despercebida pelas instituições de ensino que não possuem um sistema guia de acesso e uso desses conteúdos com vista a evitar que os seus estudantes caiam na desinformação através de acesso a conteúdos piratas de fonte duvidosas.

Contudo, a resistência literária nacional em relação aos desafios, em primeiro, em termos de publicação e em segundo, de consumo deste produto digital tem sido ambiciosa. A abertura para a digitalização iniciada no ano 2020 deu um novo olhar para o livro por parte das editoras.

No entanto, para que este pequeno ganho não se perca, é preciso que se abram oportunidades financeiras no campo comercial do livro digital. É necessário que as editoras vejam oportunidade de um potencial mercado literário no comércio do livro digital.

Com isso, as necessárias discussões em volta do livro digital devem abordar a necessidade de monetarização neste campo pois, há um vasto público, principalmente estudantil que reconhece as simplicidades e benefícios no uso do livro digital. Entretanto, sem um acompanhamento pedagógico, esse público é obsoleto.

 

[1] No dia 14 de Maio de 2020, lanço pela Amazon “na terra que chove para os céus”. Em Abril de 2020 a Literatas lança antologia de contos “Contos e crónicas para ler em casa”. A 24 de Março de 2021, Nelson Lineu faz o lançamento do livro “O passo certo no caminho errado”.

[2] Um claro exemplo são as acções do INC (Instituto Nacional de Comunicações) em relação aos bónus de recarga praticados pelas operadoras.

[3] O livro digital está suceptível à pirataria e alterações do conteúdo original, a não ser que a publicação seja feita em meios seguros internacionais (exemplo da Amazon Kindle). No entanto, essa via entra em choque com as oportunidades de acesso dos leitores nacionais por desconhecerem as formas de acesso a esses títulos e desproverem ou não dominarem os mecanismos internacionais de compra digital.

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