O País – A verdade como notícia

Letargia de higiene pós-COVID pode colocar milhões de pessoas em risco de infecções fatais

A pandemia tem demonstrado a importância do papel da higiene na quebra da cadeia de infecção, no entanto os especialistas temem que o mundo esteja a assistir a uma letargia higiénica à medida que transita para um mundo pós-COVID, exacerbando a ameaça da Resistência Antimicrobiana (AMR).

Com mais de cinco milhões de mortes em todo o mundo, a COVID-19 impôs um fardo significativo às sociedades e aos sistemas de saúde em todo o mundo. No entanto, existe, segundo especialistas, uma ameaça ainda maior para a saúde pública que deve ser enfrentada, a RMA.

Para prevenir a propagação de doenças infecciosas e reduzir o impacto da resistência antimicrobiana (AMR), o Conselho Global de Higiene (GHC) apela para a prática de uma higiene sistemática e constante, como a lavagem das mãos, mesmo após a pandemia da COVID-19, para quebrar a cadeia de infecções.

“Uma higiene responsável, como a lavagem das mãos, é uma intervenção eficaz para prevenir infecções, ajudando a eliminar a necessidade de antimicrobianos (por exemplo, antibióticos). Comportamentos como a lavagem das mãos têm o potencial de reduzir a transmissão da doença, tal como experimentado com a COVID-19 e devem ser encorajados pós-pandemia”, defende Sabiha Essack, professora da Escola de Ciências Farmacêuticas da Universidade de KwaZulu-Natal, África do Sul.

Com a ocorrência de surtos de doenças infecciosas mais prováveis nos anos até 2030, Essack apela para a adopção de comportamentos de higiene duradouros “para nos protegermos a nós próprios e às pessoas queridas contra a ameaça de doenças infecciosas emergentes, reduzir a carga de RAM e de antimicrobianos à prova de futuro, como os antibióticos, durante os anos vindouros”.

O uso desnecessário de antibióticos tem acelerado o aparecimento e a propagação de bactérias resistentes. As infecções comuns, que são tratadas sem sucesso devido a bactérias resistentes a antimicrobianos, atribuem a mais de 700 000 mortes por ano em todo o mundo, e prevê-se que estejam associadas à morte de 10 milhões de pessoas por ano até 2050. A adopção de práticas de higiene diária pode reduzir o risco de infecções comuns em até 50% e oferece um quadro para reduzir a prescrição de antibióticos, minimizando as oportunidades de formação de bactérias resistentes aos antibióticos.

No mês passado, a Organização Mundial de Saúde lançou o seu relatório sobre o estado da higiene das mãos no mundo, sublinhando a importância da higiene das mãos na prevenção de infecções e na redução do peso da RAM, através do prolongamento da vida dos antimicrobianos (por exemplo, antibióticos).

Partilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on telegram
Share on whatsapp
Share on email

RELACIONADAS

+ LIDAS

Siga nos