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Julgamento sobre rapto de Manish Cantilal termina sem clareza sobre os “mandantes”

Terminou o julgamento sobre o caso de rapto do empresário Manish Cantilal e a sentença será anunciada no dia 5 do próximo mês. No tribunal, os três arguidos não foram claros quanto aos mandantes do crime.

Teve lugar ontem a única sessão do julgamento sobre o rapto do empresário Manish Cantilal.

No banco dos réus sentaram duas mulheres, tidas como cozinheiras nos cativeiros onde o empresário esteve encarcerado, por cerca de 90 dias.

Entretanto, as duas negaram em tribunal que foram parte do crime, tendo dito que nunca tiveram tanta conversa.

“Fui presa no dia 24 de Março, na Beira. Estava com meu namorado, na casa dele. A polícia chegou e disparou contra ele, mortalmente. Mas ele não estava armado. E eu nem sei sobre este caso”, afirmou Benilde, uma das rés do processo, que disse que na data do rapto de Cantilal estava na África do Sul.

Já a outra, quando questionada se conhecia Benilde afirmou:

“Conheço ela. É de Xai-Xai. Tive um namorado por lá. Mas como ele era casado, certa vez houve um imprevisto e mandou ela para que me recebesse. Hospedei na casa dela por cerca de duas semanas. Desde então, nunca cruzei com ela, senão na cadeia”, afirmou a ré, identificada por Priscila.

Priscila confessou ainda que a casa onde Manish Cantilal esteve em cativeiro pertence à sua mãe, mas que um suposto namorado é que teria pedido, alegadamente, para hospedagem de amigos.

Priscila disse mais, ao revelar que, por duas vezes, foi na referida casa para deixar alimentos a pedido do namorado, mas que nunca desconfiou que a casa albergava um empresário raptado.

Aliás, Benilde chegou a revelar no tribunal que soube que se tratava de rapto dias depois em um outro caso.

A estas duas mulheres, esteve também no banco dos réus Adolfo citado na acusação como quem esteve no dia do rapto de Manish. Mas ao tribunal Adolfo disse que à data dos factos estava na África do Sul e que só adiante teve conhecimento de que estava metido num crime, depois de Nando, um suposto namorado da Priscila ter o contactado para trabalho, no qual receberia 50 mil rands.

“Conheço Ana Priscila. Fui contratado pelo Nando, quando estava na África do Sul. Quando cá cheguei, com o próprio Nando que me levou da África do Sul, fui a uma casa, onde encontrei dois indivíduos. Um era Madala, outro era patrão. Na casa estava também o próprio Manish Cantilal”, disse o arguido, avançando ainda que foi o mesmo grupo que também raptou Rizwan Adatia, proprietário do grupo Jambo.

Entretanto, Priscila e Adolfo citaram três sujeitos que estavam à frente dos raptos, um dos quais chamavam apenas de “patrão”. Sobre eles, os arguidos afirmaram desconhecer o paradeiro.

Diante das explicações, a defesa dos três réus pediu a absolvição dos mesmos, pelos argumentos e a falta de clareza sobre os crimes de que são acusados.

“Quem raptou Manish Cantilal? Com que fundamentos? Nos autos não há nenhum destes argumentos. Que arma é essa que passou das mãos dos três aqui acusados? Em que local, hora, data foi que estes estiveram?”, questionou um dos causídicos.

“Não estamos a dizer que Manish não foi raptado. Pelo contrário. A ter que haver uma condenação, que sejam condenados os verdadeiros praticantes do crime”, argumentou a defesa.

Face ao que foi dito, o juiz da sétima secção do TJCM decidiu marcar a o anúncio da sentença para 5 de Março.

Os três arguidos são acusados dos crimes de porte de arma proibida; rapto e associação para delinquir.

Em mais de três requerimentos, a defesa tentou pedir a transferência do caso para o Tribunal Judicial da Província de Maputo, mas o TJCM tornou improcedente o pedido.

Refira-se que o empresário Manish Cantilal está fora do país e a família disse em tribunal que duvida que o mesmo retorne em breve, a Moçambique.

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