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Jovens deixam problemas de lado e buscam formas alternativas para obter rendimentos

No Dia Internacional da Juventude, celebrado a 12 de Agosto de 2021, o jornal “O País” ouviu alguns jovens que se queixam da falta de emprego, um problema antigo e de domínio das autoridades, cujas soluções tardam chegar. Entretanto, há quem optou por deixar de reclamar e reinventar-se para conseguir sobreviver.    

Em plena metrópole, onde todos julgam existir alternativas de sobrevivência, os jovens esmeram-se para superar as dificuldades do dia-a-dia.

Quando o sinal do semáforo fecha, eles deixam os desafios de lado e vêem a solução para os seus problemas.

Victorino José vem de Gaza. Foi-lhe prometida uma oportunidade de trabalho na África do Sul, porém, quando chegou a Maputo, de onde partiria, percebeu que o convite não passava de uma promessa vazia. Ainda assim, isso não foi motivo para se abalar. Como a juventude não perde tempo, Victorino decidiu “phandar” (‘desenrascar’).

“Arranjei 150 meticais, comprei sabão líquido e este instrumento para limpar vidros dos carros e, por dia, consigo fazer 500 meticais. Com esse dinheiro, consigo pagar a renda de casa e ajudar a minha família em Gaza”, contou.

Nos pontos onde há semáforos na cidade capital, são vários os jovens que, por conta do desemprego, decidiram criar as suas próprias oportunidades de trabalho. Limpam vidros, vendem acessórios para carros e mais…soluções é o que sempre buscam para os seus problemas.

Fernando Nhampossa vende acessórios de carros desde 2007, altura em que ainda era adolescente. Diz que, no princípio, foi complicado. Apesar de passar todo o dia debaixo do sol, consegue ganhar o pouco para alimentar a sua família. Fernando tem o sonho de ser cantor e já tem 23 músicas gravadas, mas este sonho mistura-se com um outro que é o de ter um emprego fixo.

Reinventar-se e buscar soluções, fazer business e ganhar “taco” é o que a juventude faz, ou melhor, procura fazer, seja de que maneira for. E, na Praça da Juventude, que de jovem nada tem, senão a juventude que busca formas de sobrevivência, essa camada também esta lá.

Pedro Agy contou ao “O País” que começou “de baixo” e hoje, depois de muito trabalho, tem um camião que transporta areia.

Não é só Pedro que se beneficia da Praça da Juventude. Alberto Liasse, mototaxista, tem o local como o seu posto de trabalho, mas lamenta a falta de emprego e mais oportunidades para a camada juvenil.

“O Governo devia olhar mais para os jovens e dar-lhes oportunidades. Seria honroso jovens dirigirem o país. Nós temos muitas ideias boas”.

Debaixo do sol ou no escritório, de fato e gravata ou mesmo rotos, eles estão lá à busca, sempre, de uma solução.

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