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Jovem mata mãe e tia por se recusarem a vender um tambor em Inhambane

Tudo aconteceu na manhã do último sábado, na localidade de Gotite, distrito de Morrumbene, quando o implicado entrou em discussão com as vítimas devido à venda de um reservatório de água. A discussão passou de ofensas verbais para agressões físicas que culminaram com a morte das duas mulheres.

A nossa equipa de reportagem esteve no local dos factos. Ao “O País” a vizinhança disse ter acompanhado, de longe, os gritos durante a confusão, mas teve medo de se aproximar por reconhecer o histórico agressivo do jovem.

“Vimos que o jovem estava bater na mãe e na tia. Tivemos receio de aproximar. Depois de algum tempo vimos que elas estavam deitadas, chamamos por elas, mas nenhuma delas respondia”, relatou uma vizinha.

Segundo relatos, as pessoas só conseguiram aproximaram- se do local depois da chegada das autoridades locais, mas já era tarde porque as vítimas de 65 e 75 anos já estavam mortas. As duas irmãs foram encontradas deitadas no quintal da residência, uma ao lado da outra, ensanguentadas.

Quando questionado sobre as causas dos assassinatos, o jovem disse que as vítimas recusavam-se a vender um recipiente de 200 litros.

Segundo Armindo João, parente das vítimas, este não foi o primeiro episódio de violência contra a mãe. Em 2016, o jovem agrediu a progenitora porque esta recusou-se de lhe dar 400 meticais. Esse episódio só não terminou em morte porque a idosa cedeu e entregou o valor.

A filha da vítima e irmã do agressor ainda está em choque. Explicou que o irmão vivia agredindo a mãe exigindo dinheiro para alimentar o vício pelo álcool e cigarro. “Ele não gosta de trabalhar, não faz nada, nem vai a machamba, tudo que ele vê aqui em casa leva para vender para depois comprar bebida. Toda a vez que bebesse voltava e discutia com a mamã, exigia que ela o servisse comida, que lavasse sua roupa”, contou Inocência Ngovene.

À nossa reportagem o indiciado disse que sofre de problemas espirituais e tudo que queria era vender o reservatório para conseguir dinheiro para pagar o seu tratamento. “Eu disse a ela para que vendêssemos o tambor para que pudéssemos pagar o meu tratamento, mas elas não aceitaram e ficavam a falar muitas coisas. Aí, eu fiquei nervoso, peguei no machado e matei as duas”, explicou o jovem.

A Polícia lamenta que ninguém tenha denunciado as agressões. Segundo apurámos no local, os desentendimentos, aliados à ambição pelo dinheiro por parte do jovem eram tantos, que em 2019, ele vendeu à revelia da mãe, parte do terreno da família por 15 mil meticais. Todo dinheiro foi usado para comprar bebidas alcoólicas.

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