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João Paulo Borges Coelho aventura-se pela infância no novo livro

João Paulo Borges Coelho tem uma nova obra literária, a qual, de algum modo, projecta a cidade da Beira para o mundo, não fosse “Ponta Gea” o título da narrativa.

Sobre o novo livro, com a modéstia e simplicidade que lhe caracteriza, João Paulo Borges Coelho explica que não traz propriamente uma estória, mas um projecto de pôr a infância em conjunto com a ficção. Todavia, o autor adianta que não se trata de uma obra autobiográfica, como alguns leitores poderão pensar, trata-se sim de fazer o percurso da descoberta do mundo através dos olhos da infância, conforme esclarece o Prémio LeYa 2009: “Trago aqui um conjunto de estórias em que cada uma corresponde a um pormenor da memória e cobre o período em que uma criança começa a sair de casa e a descobrir o mundo à sua volta”.

Na percepção de Borges Coelho, “Ponta Gea” canibaliza a sua infância, mas é um projecto de ficção que não corresponde ao rigor da lembrança. Logo, é a infância do narrador que está em causa na obra.

Ao escrever o livro que será lançado no Camões – Centro Cultural Português, em Maputo, às 17:30h desta terça-feira, moveu João Paulo Borges Coelho a possibilidade de deixar ficar uma mensagem sobre o que lhe inquieta, ariscamos, como autor e como historiador. Por isso, o escritor tem um desejo: “Gostaria de chamar atenção para um passado de que andamos esquecidos. Nós como que apagamos o passado anterior à independência nacional. Para mim seria importante que os leitores, através desta leitura, despertassem as experiências das suas próprias infâncias”. E Borges Coelho continuou: “é importante notar que a vida não começou numa data certa. É importante sabermos quem foram os nossos avôs, por exemplo. E, nesse sentido, não há receitas. Se nós esquecermos o ontem viveremos o hoje sem grande estrutura e sem grande esperança porque ir buscar atrás é apontar para frente também”.

“Ponta Gea” tem 348 páginas e a obra será apresentada pelo jornalista Fernando Lima. O livro sai sob a chancela da Editorial Ndjira.

 

“Ponta Gea”: o princípio de um olhar à infância

Não é a primeira vez que João Paulo Borges Coelho retrata o bairro da “Ponta Gea”, na sua escrita. Antes de o fazer nesta aventura, o escritor já havia inserido as imagens daquela parte da Beira numa outra obra literária, o segundo romance do seu percurso literário: ”As visitas do Dr. Valdez”, com qual venceu o prémio de literatura José Craveirinha, em 2004. No entanto, desta vez, o bairro da Ponta Gea  ganha um protagonismo ainda maior porque empresta o nome ao título do livro, cujo preâmbulo começa da seguinte maneira:

“A infância não é um lugar, nem tão-pouco um tempo. O que ela é, afinal?/ Se tomássemos a imagem das ilhas, estaríamos neste livro face a um arquipélago de episódios em que o núcleo de cada um me fosse imposto com insistente nitidez, mas em que as margens, mais incertas, existissem um esforço contrário ao de evocar – o esforço da partida”

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