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Jazz “alivia” dor dos pacientes no HCM

À entrada da oncologia do Hospital Central de Maputo ouvia-se no fundo um som suave e agradável. Ao se se aproximar onde estão acamados os doentes deste departamento da maior unidade hospitalar do país som ia ficando mais apurado e abafava todo pranto, dor, desespero de quem, na cama do hospital, vê os seus dias consumidos por uma doença que não tem cura. Era o jazz de Moreira Chonguiça que servia de terapia aos pacientes.

Ao todo 35 pacientes internados no Hospital Central de Maputo, dos quais oito são homens com cancro da próstata e 27 mulheres padecendo de cancro do colo do útero. Neste universo, encontramos Teresa Sambo, natural de Xinavane, não conhece a sua idade. Mãe de sete filhos, dois quais já falecidos, a única coisa de que se lembra e das fortes dores que sentiu no útero e por isso foi transferida na última sexta-feira para o maior unidade sanitária do país.

“Eu sinto dores no útero”, ainda no início da sua explicação, a voz da Teresa Sambo fica trémula e as lágrimas de tristeza invadem os seus olhos…mais calma e tranquila, ela segue prossegue com a explicação: “depois das dores, quando urinasse o que saía era sangue daí fui ao hospital e viram a gravidade do meu problema e mandaram-se para cá (Hospital Central de Maputo”, um choro de angústia interrompe o pensamento da nossa interlocutora.  

O cancro do colo do útero tirou grande parte da sua força e não pode mais fazer o que mais gostava: dedicar-se à agricultura. De lá até a esta parte, a única coisa que lhe dá algum tipo de alívio são os comprimidos, mas não por muito tempo.

“Não sei com precisão a quanto tenho esse problema. Mas já faz muito tempo e acho tenho, inclusive, um ano vindo ao hospital para fazer o tratamento. Algumas vezes eles dão os comprimidos que quanto tomo parece que a dor passa, mas depois de um tempo volta”, contou Teresa Sambo.

Os compridos não podem acabar com a dor de uma doença considerada crónica, o jazz serve de terapia para que os pacientes esqueçam por um instante a sua condição e embalar ao ritmo da música.

“Há pessoas que não escolheram ter essa doença. Então, como é que a gente faz a integração social desses doentes e como contribuir para reavivar as esperanças dessas pessoas? Através da música? Talvez ou de uma vista e voltarmos para casa”, revelou o saxofonista Moreira Chonguiça para depois acrescentar que há necessidade de cuidarmos da nossa saúde, do nosso psíquico, das almas e para que tal aconteça, “nada melhor que o jazz”, sublinhou.

Contudo, o jazz faz ainda lembrar que o cancro do colo do útero é uma das doenças que continua a matar no país, daí a importância de fazer o seu rastreio, atempadamente.

“Aos pacientes que já têm a doença numa fase avançada, não é fácil controlar. Há aqueles doentes que ainda tem hipótese de começar com o tratamento oncológico, mas há os que a gente não pode oferecer mais nada a não ser um tratamento paliativo, conforto e alívio da dor, mas com o tempo a doença atinge patamares que ninguém queria: a morte”, lamentou Satish Tulsidás, Médico Oncológico do Hospital Central de Maputo.

Além de Moreira Chonguiça, dois dias por semana, os pacientes com o cancro do colo do útero viagem ao ritmo da música gospel de Carlos Tavares que vai, espalhando um mensagem de fé e esperança que conforta pacientes.  

Essas actividades foram desenvolvidas no âmbito do dia internacional do jazz que ontem se assinalou.

 

 

 

 

 

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