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Já foram destruídos os dois car washes localizados na Avenida Milagre Mabote

Foto: O País

O Município de Maputo destruiu, hoje, duas instalações de lavagem de viaturas que funcionavam, há mais de 10 anos, na Avenida Milagre Mabote, deixando mais de 30 trabalhadores desempregados. A edilidade diz que, além de prejudicar o ambiente, as infra-estruturas foram erguidas num espaço público e empatavam a requalificação do campo desportivo de Malhangalene.

A manhã de hoje tornou-se sombria para os proprietários dos dois estabelecimentos de lavagem de carros, localizados na Avenida Milagre Mabote, na capital do país.

Segundo o Conselho Municipal da Cidade de Maputo, os proprietários desde car washes ignoraram vários avisos para abandonarem o local voluntariamente, uma vez que é impróprio para a actividade. E não houve outra saída, senão avançar para uma retirada coerciva e deitar abaixo os dois estabelecimentos.

O ambiente que se vivia naquele local era de muita frustração, tanto por parte dos proprietários, bem como dos trabalhadores que passaram a ser desempregados.

Volvidos mais de 10 anos em actividades naquele local, há mais de 30 trabalhadores que só apontam o dedo à edilidade de Maputo.

Mário é proprietário do primeiro “car wash” a ser demolido. Conta que iniciou a desmontar a sua infra-estrutura na semana passada, porém precisava de mais tempo, pois trata-se de uma estrutura não fácil de desmontar.

“É um investimento de anos que vai água abaixo, sem nenhuma indemnização. Alguns têm empréstimos bancários. Não sei como vão resolver. O Município não nos deu espaço para irmos, nem indemnização. Estamos a Deus dará”, disse.

Para estes, a edilidade está inclusive a ser injusta, porque “viram a implantar-nos no local, durante anos, nada diziam, agora destroem as nossas coisas. Eu desconfio que estão a tirar-nos para poder ceder o lugar a outras pessoas. Vamos esperar. Veremos”, concluiu, transtornado.

Na mesma situação, está Ernesto Mário, que trabalhava no local há treze anos. Para ele, o Município está a ser injusto, porque não foi avisado e teve que retirar os seus pertences às pressas.

“Aqui são estabelecimentos diferentes. Avisaram os outros, nós só vimos a destruírem o outro empreendimento e estamos a retirar as nossas coisas, pois pelo que se vê, seremos os próximos”, disse Ernesto Mário, proprietário do segundo Car wash.

Questionado sobre para onde irão, a fonte ficou sem palavras e é a mesma reação dos seus 11 trabalhadores que não serão indemnizados, agora indignados com o Município de Maputo.

“Isto é um autêntico abuso de poder. Nós somos moçambicanos, então por que nos tratam assim? Nós temos direito a espaço para trabalharmos. Ou querem que saiamos às ruas para roubar celulares”, questionou um dos trabalhadores.

Ao contrário da explicação dos trabalhadores e donos destes car washes, a edilidade garante que desde 2017 vinha avisando sobre a necessidade de o espaço ser desocupado, mas a ordem foi sempre ignorada.

“Este processo iniciou-se em 2017 e um dos proprietários submeteu uma providência cautelar ao Tribunal Administrativo, em 2020. Em resposta, o tribunal deu razão ao Conselho Municipal. Depois disso, notificamos o proprietário para que desocupasse o local num período de 30 dias, tendo expirado o prazo na semana passada (dia 11), hoje iniciamos a remoção coerciva”, disse Danúbio Lado, Vereador de Desenvolvimento Económico Local, no Município de Maputo.

Segundo Lado, a decisão do Tribunal Administrativo vem de 2020, portanto “eles tiveram tempo suficiente para a retirada voluntária dos seus produtos”.

O Vereador explicou ainda que a lavagem de viaturas prejudicava o meio ambiente, impedia ainda o avanço do projecto de requalificação do passeio e do Campo de Malhangalene.

“Há um projecto de requalificação do Campo Desportivo de Malhangalene, que está atrasado, pois o concurso foi lançado em 2020, mas tínhamos um entrave, devido à permanência daqueles estabelecimentos. Trata-se de um espaço público que não pode ser ocupado por este tipo de infra-estrutura”, esclareceu, dizendo que esta era uma das razões para a edilidade não renovar as licenças de ocupação.

Sobre a questão ambiental, o Vereador disse que, durante a lavagem de viaturas, a água e outras impurezas escorrem pelo vale do Infulene e afectam negativamente a produção agrícola.

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