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Irmãos Mabundas expõem colectiva no Camões

A ideia de os três artistas Mabundas exporem juntos, pela primeira vez, surgiu da antiga Directora do Camões, Alexandra Pinho. Entretanto a portuguesa partiu de regresso ao seu país antes de poder concretizar a exposição. Ficou o projecto e o interesse. Por isso, agora com novo Director, João Pignatelli, o Centro Cultural Português convidou Gonçalo, Santos e Rodrigo Mabunda para uma colectiva cuja abertura está marcada para 18h30 do dia 10 deste mês.

No princípio, a ideia da nova direcção do Camões era que fosse Gonçalo Mabunda a expor, o que não dava jeito ao escultor meter-se numa individual, em Maputo, pois, na altura do convite, já preparava três exposições para o estrangeiro: uma na Inglaterra (a partir de 16 Maio) e duas na Itália (a partir 11 e 20 de Maio, respectivamente). “Por isso, julguei interessante expor com os meus irmãos, porque não conseguiria preencher a sala do Camões sozinho com tanto trabalho que tenho. O director, depois de analisar a minha sugestão, convenceu-se que fazia sentido e cá temos uma colectiva para inaugurar”, explicou Gonçalo Mabunda, que, desta vez, leva 20 peças ao Camões.

Para Santos Mabunda, esta oportunidade de puder expor com os seus dois irmãos significa tudo. “É algo importante, marcante. Não é comum no nosso país haver três irmãos artistas, e exporem juntos”. Para o efeito, Santos preparou duas dezenas de cartões sobre desenho. A sua pretensão é que os visitantes da colectiva nela encontrem um sentido de beleza bem elaborada, “pois isso também caracteriza a realidade criativa do nosso país”.

Com Gonçalo e Santos estará Rodrigo. O irmão mais novo dos Mabundas organizou para a colectiva obras feitas com recurso à pintura e desenhos com esferográfica, destacando-se neles a intervenção social, porque, remata Rodrigo Mabunda, “sou um artista que se inspira na rua”.

Quer Santos quer Rodrigo já estiveram numa colectiva com Gonçalo. Agora chegou a vez dos “manos” estarem finalmente juntos, como os “três putinhos”.

 

NO HORIZONTE DOS CURADORES

A exposição “Os Mabundas” é uma colectiva com curadoria de Guilherme Godinho (Arquiteto) e João Pignatelli (Diretor do Camões – Centro Cultural Português em Maputo). De acordo com a nota de imprensa da organização, as peças seleccionadas para esta iniciativa apoiada pelo banco Barclays “são apresentadas dentro de um discurso curatorial que envolve não só a disposição espacial das obras em harmonia com o genius loci da sala do Camões, mas também factores como a tonalidade das paredes, a luminosidade, a presença de textos, entre outros elementos. O olhar dos curadores explorou uma opção de trabalhos representativos dos diversos estilos representados pelos artistas”.

De acordo com João Pignatelli, citado pela nota do Camões, a colectiva “Os Mabundas” “é um excelente exemplo da singularidade, criatividade e qualidade da arte e dos artistas que existem em Moçambique. Um país que de norte a sul tem artistas e criadores de grandíssima qualidade”. E o curador acrescenta: “será também uma ocasião para fazer um tributo a esta família moçambicana tão especial e que tem no seu ADN todo este talento artístico”. O outro curador, Guilherme Godinho, citado na mesma nota do Camões, realça que nas obras dos três irmãos Mabundas prevalece uma convergência que se mistura com influências socio-antropológicas e artísticas ocidentais “e, em conjunto com a constante alusão à arte étnica tribal e ao folclore africano, converge para um pós-Dada Africano”.

Em suma, as 40 peças que farão parte da mostra incluem um painel colectivo que será terminado e apresentado no dia da inauguração da exposição. 

OS MABUNDAS

Dos três irmãos, Gonçalo Mabunda é o artista mais reconhecido nacional e internacionalmente. Aliás, Gonçalo é dos artistas moçambicanos mais destacados em África e fora do continente. As obras do escultor reconhecido por trabalhar a soldadura de armas estão expostas nas galerias de países como África do Sul, Marrocos, Estados Unidos de América, Inglaterra, França, Emirados Árabes Unidos e Portugal. Entre as actividades previstas para o próximo mês, vai expor na 58ª edição da Bienal de Veneza, no Pavilhão Nacional de Moçambique, com Mauro Pinto e Filipe Branquinho.

Santos é o irmão do meio dos Mabundas. Nunca expôs numa individual, mas já participou em várias colectivas. Inclusive, ganhou alguns concursos abertos às artes plásticas promovidos pelo Banco de Moçambique.

Já Rodrigo Mabunda, o mais novo, já expos na África do Sul e em Dubai. Depois desta colectiva, eventualmente, irá expor também em Portugal. É interessado pelo ambiente. Por isso, a sua criatividade inclui a reciclagem de papelão e trabalhos com recurso a esferográficas.

 

 

 

 

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