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Investimento no capital humano aumenta habilidade dos jovens

O Director-Geral da African Guarantee and Economic Cooperation Fund, Ngueto yambaye defende investimento na formação dos jovens de modo a fortalecer a sua contribuição na mudança, transformação e desenvolvimento da economia africana.

Antigo Ministro da Economia do Chade ex-director executivo do FMI para África
Director-Geral da African Guarantee and Economic Cooperation Fund – FACAGE (Cotonou, Benim)

Que políticas públicas devem adoptadas com vista a alavancar o crescimento económico inclusivo no continente Africano?
Sobre a primeira questão que é extremamente importante, penso que a promoção do crescimento inclusivo em África é necessário para se desenvolver padrões elevados e abrangentes em termos de políticas públicas, que possam integrar a todos, com foco particular aos jovens e mulheres que são a maioria da população africana, estou a falar a cerca do capital humano. É necessário que se investa mais no capital humano para se aumentar as habilidades dos jovens para que contribuam na transformação da economia africana, portanto investir no capital humano é importante para a promoção do crescimento económico mais inclusivo em África em termos do comércio e produção, isto também significa desenvolver políticas fiscais, promovendo jovens porque o nosso continente, África é composto por mais de 70% de jovens, conforme os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas estão a promover, baseado nos objectivos estabelecidos em 2013, todos governos africanos precisam de ser mais inclusivos apoiando jovens e mulheres.

M: Professor Yambaye, Que tipo de políticas públicas podemos adoptar para garantir o crescimento económico inclusivo em África?
Dr: É exactamente necessário formar pessoas para que se tornem mais competentes, porque o mercado precisa de pessoas com altos níveis de habilidades e os jovens africanos precisam de concorrer com os outros jovens do mundo, por exemplo Ruanda e Moçambique têm um bom desempenho, visitei o vosso país alguns anos atrás e gostei de ver o cometimento do governo do vosso país assim como do Ruanda que tem um bom desempenho.

M: Como é que os países africanos podem investir no capital humano por exemplo, sabendo que não existem recursos suficientes para que as políticas públicas sejam eficazes?
Dr: Acho que não há necessidade de se olhar apenas para recursos financeiros, África tem todos recursos, no meu ponto de vista, a população é o recurso principal que possa contribuir para o alcance de todos recursos, conforme o nosso continente é composto por países ricos, precisamos de abordar questões como boa governação, isto é que é fundamental, precisamos de ter pessoas com habilidades ao alto nível em cada governo, o que podemos fazer tendo recursos humanos sem habilidades? Precisamos de focalizar a nossa governação e políticas em jovens e mulheres.

M: Como é que podemos criar o crescimento económico e o desenvolvimento nesses termos?
Dr: É uma questão bastante interessante porque o crescimento económico é o primeiro passo, mas precisamos de partilhar esse crescimento com toda a população e o segundo passo, baseado nas políticas de boa governação, como podemos partilhar esse crescimento económico com pessoas vulneráveis, jovens ou com as pessoas mais pobres, portanto o primeiro passo é que todos governos promovem o crescimento e o segundo passo é necessário que se partilhe esse crescimento com todo população em termos de políticas, políticas fiscais, em teremos de apoiar as pessoas a terem acesso ao crédito financeiro, apoia-las a criarem empresas, as Start Ups, etc.

M: De acordo com a sua última resposta, gostaria de saber do senhor, o que poderá ser feito para prevenir a crua realidade de jovens africanos que em vez de olharem para a sua zona geográfica preferem emigrar para outros continentes a procura de melhores condições de vida?
Dr: Há várias questões em África no que concerne a prevenção dessa realidade dos jovens africanos. O problema da imigração dos jovens africanos em busca de um certo tipo do  Eldorado fora do continente é a questão crucial que os governos precisam de abordar, para que se erradique esse problema é necessário que se invista mais no capital humano destruindo essa mentalidade negativa de que Eldorado está fora do continente, por exemplo temos que envolver esses jovens na construção, nos principais projectos, para ajudá-los a permanecerem nos seus países. Os jovens também devem entender que existe uma maneira formal de imigrar ou que eles devem ficar nos seus países, finalmente os jovens devem entender que África é uma grande potência, é preciso que sejam confiantes, primeiro nos nossos países e no nosso continente. A principal questão é que nós temos vários conflictos nesse continente e é necessário prevenir a existência de mais conflictos no continente, ajudando as pessoas a ficarem nos seus países.

M: Uma das questões que de uma forma repetitiva é colocada nas redes sociais é que se por exemplo investirmos no capital humano, onde temos jovens com formação superior em África mas que são desempregados ou trabalham num sector no qual não foram formados, como é que podemos corrigir essa situação encarrada por vários países em desenvolvimento em África.
Dr: Na realidade tudo depende da qualidade da governação e na qualidade das políticas estabelecidas por cada país, precisamos de desenhar políticas apropriadas e ter uma boa governação, isso é que é o essencial, portanto, por vias de boa governação todos governos têm que ajudar as pessoas a terem acesso ao crédito, por

M:Sim mas parece que costumamos a importar políticas públicas estrangeiras e as mesmas não são eficazes nos nossos países, qual seria a razão de trás disso?
Dr: Falei no início dessa conversa que precisamos de estabelecer políticas adequadas e temos que ser confiantes na nossa capacidade de sermos inclusivos em termos de políticas nacionais. Depois de desaseis anos da independência, porque o meu país de origem obteve a sua independência há desaseis anos, hoje todos africanos, ou a maioria dos africanos que estudaram fora do continente africano agora já regressou para os seus respectivos países, precisamos de ser confiantes para estabelecermos políticas originais para promovermos o desenvolvimento no nosso continente, assim sendo, não devemos continuar a importar alguns métodos de políticas para implementarmos as nossas reformas de políticas em África, tudo depende da capacidade de cada governo em estabelecer políticas apropriadas para o acesso ao crédito financeiro e na promoção do empreendedorismo por exemplo.

M: Nesta semana celebramos o dia internacional da Juventude, como efectivamente financiar programas com vista a abordarem os grandes desafios encarrados pelos jovens nos países ou nas economias em desenvolvimento, programas tais como educação e formação, habitação, emprego decente e empreendedorismo?
Dr: Exactamente, recordo-me de um provérbio chinês que diz ensina-lhe a pescar envés de dar-lhe peixe, precisamos de educar os jovens para que efectivamente financiam programas direccionados a responderem aos grandes desafios dos jovens nos países em desenvolvimento, há uma necessidade de se financiar e de se criar um certo tipo de incubadora para acelerar os programas para alavancarem o empreendedorismo em África porque sabes, os países africanos não têm comércio entre eles, eles realizam comércio fora de África, a União Africana lançou um programa que tem como objectivo o desenvolvimento de negócio entre os países africanos, portanto há necessidades de se utilizar instrumentos inovadores tais como PPP, mercado financeiro, um certo tipo de finanças especiais, micro finanças, para financiar programas com a finalidade de abordar novos desafios encarrados pelas pessoas em África. Acho que é imperioso que haja envolvimento dos próprios jovens desde o início até ao fim para que efectivamente os programas financeiros possam fazer parar a imigração das zonas rurais para as urbanas e investir-se mais na zonas rurais para se manter as pessoas, em particular os jovens nas suas aldeias, por

M: A próxima questão é, como é que podemos implementar esse tipo de ideias, por exemplo os jovens que estão envolvidos em empreendedorismo em África ou em países em desenvolvimento em África têm reclamado pela falta de mercado, o que significa que eles podem ter algumas ideias económicas a serem produzidas mas falta-lhes o mercado para colocarem os produtos, como é que podemos criar os bons mercados para encaixarmos essas ideias no empreendedorismo?
Dr: É uma boa questão mas gostaria de permitir os jovens saberem que os jovens de Moçambique por exemplo, podem ter acesso ao mercado no Chade, Senegal, África do Sul, em Ruanda, etc. África é um grande continente, sei que existe alguma barreira de comunicação devido a língua, em Moçambique vocês falam português, em Chade falam francês, em Ruanda falam inglês, assim sucessivamente, mas temos que trabalharmos juntos, juntar os nossos jovens, porque por exemplo em Moçambique as pessoas têm mais habilidades em certas áreas, necessárias em Chade, onde nesse país as pessoas precisam de jovens empreendedores moçambicanos para que possam ir trabalhar lá. Temos que juntar os nossos jovens para trabalharem em conjunto e criam um certo tipo de empresas multinacionais africanas, por exemplo no meu país, Chade o algodão é muito importante, as pessoas em Chade produzem algodão, se o mercado moçambicano ou de outros países africanos precisarem de algodão podemos fazer esse comércio, porquê é que a Câmara do Comércio de Moçambique não interage com as outras Câmaras de Comércio africanas? Essa é nova ideia, é preciso que sejamos inovadores para criarmos esse relacionamento entre empresas e entre empreendedores.

M:Qual é o problema que dificulta esta ligação, por exemplo entre a Câmara do Comercio de Moçambique e as outras câmaras de países africanos?
Dr: Temos que abrir as nossas fronteiras, acho que vários países africanos já abriram as fronteiras para os outros, cada governo tem que tomar as iniciativas para lidar com outros países, abrir o mercado, a União Africana está a ter um bom desempenho nessa matéria, não sei se está ciente da nova política da UA sobre a abertura das fronteiras para que o mercado africano se torna maior para todos.

M: A experiência que temos em Moçambique da região da SADC faz nos entender que a estratégia da integração económica regional tenha falhado, como abrir as fronteiras com as falhas da estratégia da integração económica verificadas neste momento?
Dr: SADC é apenas umas das cinco ou seis regiões em África, a experiência que tenho da África Austral e Ocidental é bastante interessante, todas as fronteiras na África Ocidental estão abertas, todos os mercados da ECOAS e de outras sub-regiões em África estão abertos, precisamos que as pessoas da SADC venham para a África Oriental ou Austral negociarem com as pessoas, empresas e mercados, posso assegurar-te que na África Ocidental e Austral as fronteiras estão abertas, o mercado está muito aberto, nós damos boas-vindas a todos que vêm da SADC ou de Moçambique para negociarem connosco.

M: O investimento e a criação de oportunidades para jovens é uma prioridade inquestionável no nosso continente. Quais são as experiências que envolvem a promoção de oportunidades ou a mitigação da desigualdade que possam ser replicadas com sucessos nas diversas regiões do nosso continente?
Dr: Em todos países precisamos de estabelecer boas políticas e uma boa governação, isto é fundamental e muitos países em África estão num bom caminho, a desigualdade é como se fosse o COVID 19, é comparável a uma doença, precisamos de combater essa doença em termos de políticas económicas e públicas, estou feliz com o que acontece com vários países em África em termos de abordagem das questões de desigualdade e pobreza, estou a falar de alguns países como Ruanda que está ter um bom desempenho, visitei o vosso país, Moçambique em 2016 e gostei, o que aprendi é que em Moçambique o tempo é dinheiro, quando fui oficialmente recebido da delegação do FMI, gostei da gestão do tempo, Não apenas devemos focalizar na resolução da desigualdade ou pobreza, também precisamos de ser inclusivos, deste modo, a primeira coisa necessária é que os jovens, melhor dizendo, toda gente deve ser bem instruído para concorrer no mercado, se todos forem bem instruídos podemos facilmente resolver a questão da desigualdade e da pobreza.

M: No seu ponto de vista, como fazer o empreendedorismo em Moçambique, sabemos que o mundo está a ser assolado com a pandemia de COVID 19 e para os jovens parece que as suas portas estão completamente encerradas e não têm ideias suficientes para aumentarem a sua criatividade para estabelecerem outros negócios com vista a encarrarem os desafios económicos no nosso país.
Dr: Sabes, o que é interessante e o que devo dizer aos jovens em Moçambique é que devem ser confiantes, primeiro ficarem na sua terra e depois viajarem para outros países africanos para negociarem com as pessoas lá, precisamos de conectar as nossas escolas, as nossas universidades, os nossos mercados e as nossas câmaras de comércio, para unir em certa forma de relacionamento ou negócio. As pessoas em Moçambique falam português e nos outros países falamos inglês ou francês ou espanhol, mas isto não deve constituir uma barreira, temos que lidar com as nossas fronteiras africanas, temos que nos juntarmos e vermos o que podemos fazer em conjunto, não saia fora do país, residi nos Estados Unidos por mais de quinze anos e decidi regressar para casa em África e agora resido em Benim, onde a cidade capital é Cotonou e trabalho cá. Digo aos jovens em África que este novo Século, o Século XXI é vosso, há uma nova geração de líderes africanos que trabalham em torno de como integrar mais jovens nas nossas políticas em termos de oportunidades, fortalecendo as suas capacidades para que sejam melhor, para saírem da pobreza, da desigualdade, eles poderão ir para qualquer lugar em África, o continente tem cinquenta e quatro países e digo aos meus companheiros jovens africanos ou moçambicanos para visitarem outros países e juntos podemos trabalhar para promover o desenvolvimento.

M: Que saída os jovens em África podem ter para alcançar um resultado rápido num curto, médio e longo prazo?
Dr: A minha mensagem é de termos esperança, devemos ser confiantes ao futuro, digo aos meus amigos que gostaria de viajar novamente para Moçambique e para África Oriental e a minha mensagem chave é de pedir aos jovens para serem confiantes, trabalharem arduamente, não procurar a maneira mais fácil para desenvolver o seu negócio, tem que trabalhar arduamente, devem aprender todos dias, mesmo se tiver que criar um novo negócio, portanto tem que aprender todos dias, ser confiante, tem que ser um certo tipo de jovem gestor e tem que partilhar a sua experiência com os outros.

M: Professor Yambaye, o que quer dizer quando fala de trabalhar arduamente, de acordo com a realidade do nosso país?
Dr: Trabalho ardo para mim significa que tem que realizar o seu sonho, é correcto que os jovens tenham sonhos e devem realizar os seus sonhos, o jovem precisa de fazer esforço, precisa de continuar, tem que criar um certo tipo de network, não desista, não desista meu irmão, não desista meu filho, portanto, tem que ser confiante e continuar, assim sucessivamente.

M: Acha que é possível alcançar a prosperidade sonhando no futuro e baseado no trabalho ardo?
Dr: Absolutamente, sendo um jovem, a pobreza é uma situação transicional das pessoas, ninguém nasce para ser pobre ou rico, disse que trata-se de uma situação transicional e se for bem instruído ou não, com o tempo poderá continuar com os estudos e existem alguns desafios na vida, ao desafiar algumas posições, terá que ter sucesso se tiver coragem de avançar, trata-se do meu caso, o que sou ou faço hoje é porque tive a oportunidade de ter uma boa educação, os meus pais mandaram-me à escola e acompanharam-me, encaminharam-me ao sucesso, depois da minha graduação tive o emprego no mercado de trabalho mas tem que realizar os seus sonhos, tem que ser inovador.

M: Então não existem passos em que os jovens africanos devem seguir?
Dr: Não, porque há várias histórias de sucesso em África, há várias pessoas de negócios que tiveram sucessos, tal como o nigeriano Dangute por exemplo, não sei se o conhece, nunca estive com ele, mas este é um caso em que os jovens africanos têm que olhar para a sua história de sucesso de negócio por exemplo, há histórias de vários outros africanos que tiveram sucesso em outras partes do mundo, então, não fica no teu país, saia para outros países africanos, há várias oportunidades e tens que partilhar as tuas experiências, do teu próprio país e de outros países africanos.

M: Obrigado Doutor Yambaye
Dr: Porque é necessário com que os meus companheiros jovens africanos sintam orgulho deles próprios e de serem africanos. Muito Obrigado

M: Muito obrigado Doutor Yambaye por se ter juntado a nós no MOZEFO Young Leaders, agradecemos pela sua participação e espero voltar a vê-lo nas próximas oportunidades.
Dr: Muito obrigado pelo apoio, estão a trabalhar em questões interessantes para os países africanos e espero voltar a conversar consigo na próxima oportunidade, talvez em Maputo.

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